quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Amor: meio de um fim, fim do meio.

Esse texto é de propriedade filosófica.

Se num dado relacionamento, vale mais o meio (os momentos de convivência com outrem) do que a finalidade (a consequência disso, ou seja, a reprodução, a constituição familiar e a não-solidão), então porque as pessoas se frustram tanto quando tal finalidade se vê impossibilitada por um término de um relacionamento? Não seria melhor compreender o término enquanto lembrança dos bons momentos ao invés da insatisfação pela não-continuidade?

Se for para combater a solidão, então isso não é viver como dois, mas sim apropriar-se do outro para satisfazer o próprio egoísmo, motivado pelo temor de ficar só.

No fundo, o egoísmo é uma advertência natural sobre nossas próprias necessidades. A necessidade extinguir a solidão, por exemplo, gera a vontade de ter alguém e consequentemente o medo de perdê-lo.

Nesse sentido, o egoismo é uma predisposição que se desenvolve em algum grau dentro do indivíduo numa dada situação.

As religiões buscam domar sentimentos como o egoísmo por interpretarem-no como um mal. Outros preferem ver nele a vontade de potência necessária para suportar  o mundo e atingir objetivos valorosos do ponto de vista racional.

Em vias de conclusão, existe no mundo duas formas básicas de concebê-lo e vivê-lo - e sempre estamos lidando com isso mesmo sem perceber: 1) Considerando os meios, 2) Considerando os fins. O primeiro se dá mediante o sentimento. O segundo, mediante os objetivos racionais. Apesar da valorização maior em um do que em outro, ambos estão intrinsecamente ligados e caso sejam separados, são simplesmente incompletos.

Portanto, não pode existir o AMAR POR AMAR, da mesma forma que não há sentido no EXISTIR POR EXISTIR. Além disso, negar um em detrimento de outro só gera desequilíbrios e patologias ao espírito. ENTENDAM: Amar por amar carece de razão. E existir por existir carece de sentimento.

E por isso, uma advertência: o ato de amar e o próprio amor não podem ser considerados fins em si mesmos, apenas meios. Mesmo que não saibamos quais os fins que isso pode atingir. Agora busquem o equilíbrio e sejam felizes!

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Sinais de existência.

Não sei o que se comemora numa data de aniversário. Realmente, o que há de se comemorar?

Primeiro: comemorar por termos sobrevivido aos riscos desse mundo e completado mais um ciclo numérico de existência? Nesse caso o mundo seria um inferno, não é?

Segundo: comemorar por percebermos que mais um ano passa quando olhamos pra trás e vemos que estamos cada vez mais distante do momento do nascimento e mais perto do período da morte?

Terceiro: quando alguém nos dá parabéns, qual é o sentido? A parabenização é uma reação a uma conquista. Mas eu não sou responsável pela conquista de existir. Minha mãe e meu pai sim. Não seriam a eles que se deveriam dar os parabéns (ou as lamentações rsrsrs) da minha existência?

Enfim, coisas que nunca vamos questionar demais porque está muito arraigado dentro de nós.

Só que eu utilizo cada ciclo de existência pra refletir sobre o que aconteceu de diferente entre essa e a última data. E aí eu percebo o quanto mudei, o quanto mantive em convicções e o quanto eu ganhei e perdi. No fim das contas, o saldo positivo é a prova viva de que tive sorte e caminhei bem nos últimos 365 dias. Em parte, vivi coisas boas por causa dos meus amigos e das pessoas que conheci durante este período.

Como não me sentir bem em ser quem sou justamente por isso? E se não fossem essas pessoas que tenho o prazer de conviver? Dos laços familiares aos laços mais frouxos da virtualização da vida, todos se constituem, cada qual com sua importância, um pouco em mim. Aprendo, admiro, critico e sou criticado, e isso faz com que cada contato que eu tenho seja uma contribuição valiosa no meu refinamento humano.

E nesse caso, como não pensar em todos aqueles que me fazem suportar absurdos tão cotidianos pra poder seguir em frente? Eles são parte da razão de luta e de desejos de correr atrás da vida. Absolutamente todos que tive contato, uma simples frase trocada que fosse, vocês todos são importantes na constituição do ser que eu sou.

Não me atrelarei à minha família, eles sabem (ou deveriam saber) que se não fossem seus ensinamentos, eu seria talvez o oposto do que sou. Esse post é mais para os amigos. Quero compartilhar a satisfação de tê-los encontrado, e com isso vivido experiências marcantes.

Aos meus irmãos quase de sangue @Wandsss e @_WillMachado, me sinto orgulhoso pelo crescimento conjunto desde a infância, pelas campanhas de movimentos sociais, os debates, as críticas e as piadas. Mantemos nossas convicções! 
Agradeço também aos que, academicamente, me tornaram melhor. Todos os meus colegas de disciplina e todos os amigos que fiz na faculdade, com especial direcionamento ao grande @ronaldfar, cujas discussões e trabalhos desenvolvidos em conjunto reacendeu a esperança de que nós podemos abrir espaço dentro da Universidade para tratar coisas do nosso interesse também. Estamos pouco a pouco construindo nossas linhas de pesquisa e a equipe #infodigital é muito promissora. Sem contar que meu amigo @ronaldfar tem um espírito jovial e uma energia acadêmica que eu jamais vi! Um tipo ideal de professor. 

Falando em tipos ideais, como não ressaltar o orgulho de ter conhecido este ano o tipo ideal de cidadão, na pessoa da querida @CanAlmeida? Sua indignação compartilhada com várias práticas absurdas e duvidosas no âmbito politico, além das opiniões poderosas sempre foram um motivo a mais para me espelhar e ter convicções da nossa função social política. Tive o prazer de conhecer pessoas como Candice nos encontros de Blogueiros e Tuiteiros, eventos mais importantes pra mim nos últimos tempos, não só pelos debates postos e pela dinâmica dos encontros, mas sobretudo pela experiência humana. Todos, da galera de União, Maceió, Arapiraca, Palmeira e Murici, sem exceção, estão construindo e legitimando aos poucos um espaço que considero fundamental para o desenvolvimento social e político de Alagoas. Me orgulho de fazer parte desse movimento e de ter conhecido todas as pessoas que o constroem. Como não admirar o estado de espírito do @Marques_jm, a eletricidade do @RaphaDoisreais e a poesia do qual sou eternamente grato por ter tido contato da minha querida @Karol_Coelho, que virei fã incondicional?

Também admiro profundamente, e quero ressaltar levando em evidência aqui, a luta do amigo @fleming_al por um estado melhor e menos corrupto a partir de sua paixão socialista, bem como a lucidez e bom senso  invejáveis do @lulavilar, pessoa necessária para produzir ótimas reflexões em torno de questões polêmicas e cotidianas, além de se mostrar um ícone humano de qualidade inigualável quanto ao gosto literário.

Por fim, admiro os meus companheiros de banda, onde tentamos já há alguns anos conquistar nosso espaço mantendo a crença da importância da poesia junto a guitarras altas e distorcivas e ao meu grupo de projetos  privados já em realização, formado pelo dom artístico do @jankaleb, figura ímpar de honestidade e dedicação, e à qualidade criativa da @kaahryne, com sua apaixonante imperfeição de pessoa doce e punk (rsrs). Acredito que os próximos 365 dias serão mais enriquecidos com a convivência com todas essas pessoas novamente, além de todos os outros que eu poderei ter o prazer de conhecer.

E no fim das contas eu entendi porque mereço os parabéns. Sim, mereço-os por ter, nesse ciclo, tido a sorte e a honra de conquistar relacionamentos com todos vocês! Eu realmente sinto que tive grandes conquistas durante este tempo em que nos conhecemos. Obrigado!