segunda-feira, 13 de agosto de 2012

A Realidade Sartreana e a Minha


Questões árduas (como a do post anterior) a parte, é fato que as sementes sartreanas já começam a germinar - se não ainda pela ciência, mas já pelo pensamento em geral. E aqui é aonde entra minhas reflexões sobre o Filósofo.

Costumo dizer que sou amplamente influenciado por Nietzsche e Sartre. Ainda por não ter lido suas obras por completo, posso dizer que algumas opiniões desses pensadores com as quais tive contato me puseram em estado de reflexão e passei então a submeter cada novo aspecto captado da realidade aos ensinamentos desses dois grandes filósofos. Creio que os tais foram sobras de um pensamento moderno que se confiou demais numa forma de alcançar o conhecimento que se mostrou tão salvadora quanto destruidora da humanidade, e por isso talvez haja alguma "pureza" nesses dois intelectuais que, ainda muito criticados, mostraram caminhos alternativos de ver a realidade, seguindo na direção contrária de uma modernidade ao qual já tentaram enterrar com o sufixo de pós.

Diante disso, ao ler Sartre, vejo quão nova e problemática é a sua proposta. No entanto, vejo também muito de sua validade. E nesse debate, crio meu próprio conceito do que é a realidade.

A primeira coisa que se deve ter em mente é que a realidade é um produto de diversos âmbitos: a realidade social, a realidade da natureza, a realidade da relação homem-natureza, a realidade até metafísica (para não dizer espiritual). Se todas elas forem classificadas enquanto elementos que constitui a Realidade-mor, vai ser mais fácil de compreender. A realidade humana certamente não é a natural. A realidade de um animal não é a realidade do espírito (que é um conceito abstrato, instrumental, do qual não quero me ater para provar existência. Se digo que o espírito se trata de uma realidade, é porque tal categoria deve sua existência pela experiência). Não é da Realidade (enquanto conjunto de realidades) que estamos querendo dar conta aqui, porque cada uma tem sua própria forma de ser produzida, portanto, o conjunto precisaria ser depurado por completo. Aqui, é mais importante tentar compreender a realidade que nos cabe, a saber, a das relações homem-natureza e homem-homem.

A relação homem - natureza: o homem se utiliza da natureza para objetivar suas vontades, construir o que lhe é necessário em termos de uso e de expressão. A realidade de uma cadeira, de um talher, ou uma obra de arte, portanto, são determinadas pela sua ideia em contraste com a objetivação. Nem sempre um produto da natureza pode ser 100% do planejado pelo homem, pois no caminho há fatores limitantes. É por isso que se justifica, por exemplo, as centenas de tentativas de fazer o primeiro avião voar de verdade. Uma ideia só se torna real, portanto, quando objetivada. Ou seja: a realidade da relação homem-natureza não está na sua concepção virtual da memória, mas na sua construção, e a partir de então, das consequências que tal construção pode ocasionar: diversos tipos de cadeira, diversos tipos de talheres, diversos tipos de veículos, todos se adequando agora ao gosto do consumidor. A realidade aqui nada mais é do que um produto mediado entre a percepção da materia prima e sua realização naquilo que se pretendia criar. Em outras palavras, a realidade no âmbito homem - natureza é o construto físico do pensado, o qual, por sua vez, fora de sua realização física, não se pode dizer real.

Algo parecido surge na realidade criada pela relação homem-homem: o real é aquilo que se vê, porque o fenômeno observado é por si justificável. Só que o real na relação homem-homem, a realidade muda a cada experiência adquirida. É como se fosse a teoria antropológica da evolução humana: se temos uma linhagem evolutiva explicada pela ciência, a teoria pode mudar caso encontremos um novo tipo de ancestral a qualquer momento.  E a realidade anterior deixa de existir para dar razão à nova. A realidade aqui, no fim das contas, é uma produção social que envolve tanto a reflexão da mente humana quanto a experiência vivida. Uma opinião sobre qualquer coisa tem tanta realidade quanto outra opinião. A verdade se constrói pela legitimação, dado ou pela comprovação empírica (que pode ser sempre superada por outras comprovações empíricas a qualquer momento) ou pelo convencimento retórico. Nesse caso, a realidade no âmbito da relação homem-homem não é duradoura, é instável, e pode ser atualizada sempre que a minha opinião sobre você mudar ou for cada vez mais corroborada. A experiência de nossos dias dita o que é o real. Se sua mulher lhe trai e você não percebe isso, a sua realidade é que ela é fiel. E se você descobrir que não, uma nova realidade passa a existir. Por isso tudo o que vemos é real, até a ilusão antes de ser descoberta como algo falso. 

Diante disso, conclui-se que existem dois tipos de humanos: aqueles que não se preocupam em apreender o real e aqueles que se preocupam. Apesar de realidade ser o que se vê, há aqueles que não se conformam com a realidade do que já descobriram. E querem sempre descobrir mais, revolucionar-se interiormente a todo momento, atualizando a realidade através de estudos, leituras e reflexões. Este grupo dos inconformados é aonde se insere os formadores de opinião sérios, os filósofos e demais seres influentes de outras cabeças. Portanto, a realidade apresenta degraus, apesar de não haver limites. Ela é o que conhecemos, e isto tem a ver com o saber. Quanto mais se sabe, mais se enxerga o real. Nesse caso é possível que alguns homens tenham mais visão da realidade do que outros, e podem legitimar isso com a prova empírica ou mediante o convencimento pela retórica, mas nunca deverá negar que o ignorante também tem uma realidade, cabendo a este ignorante decidir se ele quer beber um pouco mais de realidade ou ficar na sua própria, por questões sociais e/ou subjetivas.

É isso.

A Realidade Sartreana e a contemporaneidade.

O Existencialismo não é só a moda do século XX. Diante de toda a crise da modernidade instaurada pelos avanços tecnológicos alcançados pela guerra, surge um novo modelo de pensamento desconstrutivo dos demais que é tão forte quanto o efeito Nietzsche quando escrevia no final do século XIX. Assim como o filósofo alemão influenciou todo o século posterior, parece-nos que Sartre plantou no conjunto de décadas dos anos 1900 para colher também no século seguinte. E não sabemos se vai parar. 

Para falar a verdade, freios imediatos já vieram, desde que o Existencialismo Sartreano foi imediatamente classificado como uma forma de pensamento negativo. Ora, em O Existencialismo é um Humanismo, o autor  mostra as acusações e segue argumentando diante de cada pedrada. Sinto, para além dos críticos da corrente filosófica em questão, um gosto na ciência que exclui não só o conceito de realidade de Sartre, mas o existencialismo em si. Também pudera, resgatar a lógica de construção da realidade enquanto um problema de ordem essencialmente fenomenológica ao passo que reduz o cartesianismo - um dos grandes ingredientes científicos da moderna cultura ocidental - é praticamente negar o que a ciência busca desenvolver: uma construção sobre o que é real para todos, ou seja, uma construção de conhecimento que seja oficial, legítimo, universal. A desconstrução da realidade pela corrente Sartreana, bem como a proposta de Nietzsche, parece muito bem ofensiva em relação aos tais cânones defendidos pela ciência, classificando-a tão somente a uma opção de tratamento do conhecimento tão válido quanto religiões. 

É certo dizer que essas formas de pensamento da filosofia podem influir muito na construção posterior do processo de construção de conhecimento mediado pela ciência - vemos isso ao sentir as influências de Weber em relação a Nietzsche, e Durkheim em relação a Comte e a outros. Diante disso, é possível percebermos agora um encaixe da filosofia Sartreana no processo de construção científica de nosso século?

Se o ser de um existente, tal qual nos prega Sartre, seria precisamente aquilo que parece e não existiria nenhuma verdade fora do fenômeno, o quão dessa teoria poderia criar novas comunidades científicas, ou ao menos novas teorias nos campos da ciência, sobretudo as sociais? Pergunta difícil de responder, porque estamos no centro do furacão. Daqui a algumas décadas, talvez, poderemos captar o que é que tem havido de Sartreano na ciência - se é que tem havido algo.

sábado, 11 de agosto de 2012

Apenas Sentir.



A realidade dói toda vez que eu sonho com você.
E mesmo que eu não queira sonhar,
Mesmo que eu não queira sofrer,
Não adianta.
Porque os sonhos ferram a gente?
Porque eles simplesmente não mostram a verdade?
Ou mesmo pequenas mentiras, das quais é possível esquecer.
Porque eles produzem exatamente mentiras sinceras?
A sina dos apaixonados é sempre sentir.
Seja isso sofrer ou amar.

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Essa gente esquisita...

Vai embora de vez e não me pergunte mais se está tudo bem
Um dia você verá pelo meu olhar o quanto o céu serviu-me de paz
Enquanto você ia embora no horizonte daquela imensidão
Acho que você errou ao pensar que eu ainda iria te querer.

Eu realmente me sinto bem fazendo acontecer a minha própria vida
E de repente dá um medo dessa gente esquisita
Eu não quero sair do quarto mais não
Até que eu me certifique de que não há nada que me faça parar.

Quem sabe o esquisito sou eu
Em não me conformar com sofrimentos.
Em manter no pensamento
Aquilo que sempre traz você aqui.

domingo, 5 de agosto de 2012

So are you



Filmes franceses
Paixões forjadas
Estilos de vida copiados
Originalidade muito bem maquiada
Versões de uma vida boêmia fraca
Verdades necessárias sempre proteladas
Sensações suspensas ao substituir o que se é pelo que deveria ser
Mentiras que se confundem com verdade e se tornam fatos mesmo sem querer
É sempre assim
Todos querendo, mas ninguém fazendo
E depois se perdem na solidão por não terem plantado nada no chão frio da razão.
Viver só de paixão pode ser um lado da moeda que não tem valor, my friend.