O Existencialismo não é só a moda do século XX. Diante de toda a crise da modernidade instaurada pelos avanços tecnológicos alcançados pela guerra, surge um novo modelo de pensamento desconstrutivo dos demais que é tão forte quanto o efeito Nietzsche quando escrevia no final do século XIX. Assim como o filósofo alemão influenciou todo o século posterior, parece-nos que Sartre plantou no conjunto de décadas dos anos 1900 para colher também no século seguinte. E não sabemos se vai parar.
Para falar a verdade, freios imediatos já vieram, desde que o Existencialismo Sartreano foi imediatamente classificado como uma forma de pensamento negativo. Ora, em O Existencialismo é um Humanismo, o autor mostra as acusações e segue argumentando diante de cada pedrada. Sinto, para além dos críticos da corrente filosófica em questão, um gosto na ciência que exclui não só o conceito de realidade de Sartre, mas o existencialismo em si. Também pudera, resgatar a lógica de construção da realidade enquanto um problema de ordem essencialmente fenomenológica ao passo que reduz o cartesianismo - um dos grandes ingredientes científicos da moderna cultura ocidental - é praticamente negar o que a ciência busca desenvolver: uma construção sobre o que é real para todos, ou seja, uma construção de conhecimento que seja oficial, legítimo, universal. A desconstrução da realidade pela corrente Sartreana, bem como a proposta de Nietzsche, parece muito bem ofensiva em relação aos tais cânones defendidos pela ciência, classificando-a tão somente a uma opção de tratamento do conhecimento tão válido quanto religiões.
É certo dizer que essas formas de pensamento da filosofia podem influir muito na construção posterior do processo de construção de conhecimento mediado pela ciência - vemos isso ao sentir as influências de Weber em relação a Nietzsche, e Durkheim em relação a Comte e a outros. Diante disso, é possível percebermos agora um encaixe da filosofia Sartreana no processo de construção científica de nosso século?
Se o ser de um existente, tal qual nos prega Sartre, seria precisamente aquilo que parece e não existiria nenhuma verdade fora do fenômeno, o quão dessa teoria poderia criar novas comunidades científicas, ou ao menos novas teorias nos campos da ciência, sobretudo as sociais? Pergunta difícil de responder, porque estamos no centro do furacão. Daqui a algumas décadas, talvez, poderemos captar o que é que tem havido de Sartreano na ciência - se é que tem havido algo.
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