Você já parou pra pensar no alcance que tem as próprias ações?
Já parou pra pensar se a vida é fruto de uma vontade ou de um contexto? Dito de outra maneira, você acha que você pode ser o que quiser ou o já nasce com o futuro predeterminado devido às dificuldades do local onde nasce?
A academia costuma separar isso em dois conceitos extremos que guiaram por muito tempo a análise sobre a história de vida das pessoas: a Ação e a Estrutura.
Fazer as coisas mediante o reconhecimento do poder da Ação significa perceber o indivíduo como cheio de possibilidades, sem considerar tanto o meio do qual ele faz parte. O indivíduo acaba sendo livre pra fazer o que quiser, se inserir no meio social de maneira planejada e seguir em busca de conquistas planejadas. É uma crença de que ele é livre e pode fazer o que quiser.
Por outro lado, fazer as coisas mediante as influências da Estrutura significa perceber o indivíduo com várias possibilidades de ser alguma coisa, mas sempre reduzido pelo contexto de onde faz parte. Já não interessa a máxima de que ele pode ser o que quiser, pois isso soa falso quando ele surge numa realidade que o limita: seja numa escola de baixa qualidade que o impede de aprender outros idiomas pra poder realizar o sonho de viajar pra fora, por exemplo, seja numa classe social que o coloque desde cedo num ritmo de trabalho que o impeça de se dedicar aos estudos, por outro, ou mesmo seja a vida miserável que tem e que não pode sequer dormir num lar e se alimentar bem.
Assim, diante desse dilema da vida, qual tem razão? Afinal, podemos ser o que quisermos ou já nascemos com nossas limitações? Ação x Estrutura, quem tem razão?
É fato que não podemos negar o nosso contexto. Na verdade, se queremos sermos algo diferente de onde nascemos, é porque o nosso próprio contexto de onde nascemos já está incidindo sobre nós, seja fazendo nos resignar a vivermos sempre no mesmo lugar ou a nos tornarmos tão insatisfeitos com esse lugar, que nos faz irmos em busca de outra realidade, outro espaço, enfim, outro mundo que nos caiba devidamente.
Portanto, nossa ação jamais será exatamente livre de nosso contexto, pois pra que tenhamos consciência dela e nos lançarmos a outros lugares, é porque nosso contexto nos fez ter tal motivo. Mas isso não significa que o contexto nos prende e que, por isso, não podemos sermos o que quisermos.
Justamente por termos alguma insatisfação com nosso contexto e desejarmos rompermos com essas amarras, é que nosso poder de ação se faz presente. Em formato de força de vontade, nos orientamos a escolher entre se resignar ou buscarmos um lugar diferente. A história humana está cheio dessas ambivalências, escolhas entre o ir e o ficar. E escolher é uma dádiva eminentemente humana.
No final das contas, você pode fazer o que quiser, mas não porque não tens uma estrutura que te moveu a fazer isso, mas justamente porque você a teve. As determinações existem, mas cada uma tem seu grau no indivíduo, cabendo a este estar ciente disso e, portanto, não esperando ficar refém das superstições resignatórias, a não ser que seja de sua vontade ser só mais um.
É por isso que, nas histórias da humanidade, são mais brilhantes aquelas de superação. Quando, mesmo diante de dificuldades, houveram pessoas que alcançaram extremos de conquistas. Pessoas que superaram pessoas medíocres.
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