domingo, 29 de abril de 2012

Samba de um Sonhador Insone



Eu fui insone durante horas
Depois sonhador e agora
Eu não queria mais acordar

De madrugada é o samba
Que me dita a distância
Entre o fim do dia e o raiar

Dia desses eu estava do seu lado
Agora que estou acordado
Você não está mais aqui

E diante de tal fato trágico
Eu me viro pro outro lado
Procurando prosseguir

Por favor, nenhum alarde
Fico acordado até tarde
Não é justo pra você nem pra mim

Minha cara senhora
Tudo o que eu mais quero agora
É conseguir mais uma vez dormir.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Pare o mundo que eu quero descer



Pare o mundo que eu quero descer
Eu não entendo o suficiente pra saber agir sozinho
Às vezes penso que posso lidar com isso
Às vezes penso que estar do seu lado é o que eu preciso
Às vezes sinto tua falta
Às vezes não sinto nada
Muitas vezes eu entro em dúvida
Mas em nenhum momento eu tenho certeza

Essas necessidades que se criam
Flashes do teu sorriso
O som da tua voz
A pureza dos teus olhos
Ainda vão corroer minha crosta protetora de dependências humanas
E vão atingir o meu coração.
E quando eu voltar a prestar atenção em mim
Talvez eu nem me reconheça mais.

Até que eu aprenda que tudo isso é aprendizado
Eu ainda terei medo de arriscar-me a estar do teu lado.

terça-feira, 24 de abril de 2012

Sometimes



Sometimes I wanna see myself isolated of the whole world, of all the people, just for a moment for my heart listen to my brain.
Sometimes I should consider to walk alone and learn that the life that stayed can always be this way.
Sometimes I would like to hold your hand without a risk to fall in love again
I would never get afraid of begin trying just not to blame.

So are you, this is the way I see
This is the way that you do on me.
And I know that all we know is nothing more than our own way to do not suffer anymore.
Never again.

Sometimes I wanna not to be so weak, and don't get dizzy for all i'm living on this week
And never get confused, asking if I'm being used or if I'll be the one who doesn't lie
All I want is not cleared yet, maybe I want more than I get and this is so bad
Sometimes I wanna run more fast, and fast and fast just to discover how this all will end.

So are you, this is the way I see
This is the way that you do on me.
And I know that all we know is nothing more than our own way to do not suffer anymore.
Never again.


PS: Wrote for ya.

sexta-feira, 20 de abril de 2012


Me permita a última cartada
Senão uma carta sem data
Escrita fora da minha sóbria permissão.

Dentre as verdades constatadas,
São mais contestadas
As que insistem em ficar.

E diante dos seus argumentos,
Muitos em tom de lamento
Eu brindo um gim à solidão.

Ela sim é companheira fiel,
Prepara o chão quando o meu céu
Começar a desabar.

Não é num grito,
nem num assobio de medo
que eu lhe faço objeção

Não é na sua porta
Nem depois ou agora
Mas está em todo lugar.

É mesmo num livro,
Num vinho e, em meio,
Num último lampejo do coração.

É mesmo em toda uma vida
Que sem escória ressentida
Se permite definhar.

sexta-feira, 9 de março de 2012


Esquecer de pensar é a mais irresponsável das alienações; é a instituição de nossa própria mentira. 
Por isso que, àquele que o pensamento óbvio floresce, o mundo parece deveras novo e até assustador. É por isso também que, quando pensamos pela razão abstrata ou através dos sentidos da experiência, nos tornamos conscientes de uma realidade maior que a que vivemos cotidianamente - e que acabamos por não imputar-lhe tanta importância.

Existem inimigos do pensamento. Eles são muitos, mas o pior deles somos nós mesmos. Não há derrota pior do que a crença numa guerra perdida. É preciso manter a guarda, a fé e a decisão clara do que somos e o que defendemos.

Se não há (mais) ninguém que nos salve, a salvação só pode vir de nós mesmos.
Se não existem aqueles que nos valorizam, nós temos de revelar nosso valor.
Romper as correntes do marasmo, enfrentar o gesso da resignação, apontar o caminho e seguir firme e forte em direção é uma ação de vivência da vida, e não puramente sobrevivência da ortodoxia do dia-a-dia.
Que a ditadura da realidade aparente nunca nos submeta às suas mazelas, e que encontremos sem demora a luz que nos guiará em direção aos nossos objetivos de vida, seja em qual distância eles estiverem.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Pessoas que se (des)encontram

Eis a façanha do senhor dos destinos: tramar para nós o intramável, intervir no tempo do improvável, definir os limites do provável, legitimar o impossível e fazer-nos de marionetes. Quando pensamos que somos os donos de nosso presente, passado e futuro, ele nos revela a pouca força que temos com revelações sobre coisas que não eram como achávamos que eram, sobre o que somos agora e sobre o que há de vir depois. A única coisa que podemos fazer por nós mesmos é dar tempo ao tempo.

Assim é com os relacionamentos. Os que dão e os que não dão certo, os que requerem tempo para serem processados pelos indivíduos participantes, os que são estragados por besteiras.
E sempre judiamos consigo mesmos ao uso do advérbio "TALVEZ".

"Talvez eu tenha me dedicado à pessoa errada no momento certo, talvez eu tenha falado pra pessoa certa no momento errado." Bem, sabemos que isso jamais iremos saber. Só o tempo, o senhor do destino, é quem pode corroborar ou desvalidar nossas inquietações a respeito disso. A grande questão é: se sabemos que não temos mais o direito de intervir, pra quê viver querendo mandar no in-mandável? Só podemos agir até um determinado ponto. O resto é efeito, consequência, esperança. E nada disso promete que vai ser realizado ou negado.

Pessoas se encontram e se desencontram em todos os lugares, a todos os momentos, em todas as situações. Abrir os olhos a quem está ao nosso lado ou ao outro lado do mundo é uma façanha que só descobriremos quando o destino quiser que descubramos. Semear não significa necessariamente colher os produtos desejados. E se colhermos da forma que pensamos, pode ser que não seja, para nós, os adequados.

Aquele ser com que prezamos com o adjetivo de "meu amor", "seu amor", pode estar em muitos lugares, em muitos momentos.

Pode ser alguém que você conheceu ontem.
Pode ser alguém que você conhecerá daqui a 10 anos.
Pode ser alguém que viva a metros de você.
Pode ser alguém que viva do outro lado da cidade, do país, do mundo.
Pode ser alguém que te acompanha por muito tempo e você não percebeu,
Pode ser alguém que nunca participou da sua vida antes.
Pode ser teu amigo, teu inimigo, teu vizinho, teu colega de trabalho, da escola, da fila do banco ou da crise existencial.

Apenas pode, e é algo que não temos força para evitar que seja.

Se vai ser sim ou não, deixe que o tempo resolva por você. O tempo prega peças em nós, é preciso ter em mente este mais perfeito aforismo. A verdade é que nós nunca saberemos o que estará por vir para nós. Isso está além do alcance dos olhos de qualquer ser humano. Contentemo-nos a isso, e aprendamos a ser pacientes.

Quer saber? Gostando ou não, surpresas são as melhores coisas que podem realmente acontecer ao ser humano. 

Que assim seja, então.

domingo, 19 de fevereiro de 2012

O declínio do sentido da arte pela arte na contemporaneidade

A arte, de uma maneira geral, tem sua relevância no mundo a partir da relação com a sociedade que a sustenta. Dessa forma, em periodos bucólicos, é comum a valorização à arte bucólica. Em períodos cujos agentes históricos são sobretudo o povo burguês, o romantismo mediado pelo tema do ócio também ganha força e centralidade entre os poetas. Diante das ideias de progresso e racionalidade, o parnasianismo e a reprodução fiel entram em cena; e durante as guerras e demais conflitos nacionais, a arte ganha caráter de protesto e de denúncia. Em outras palavras, o uso que se faz da arte época por época é capaz de definir características da própria sociedade em curso.

Tendo em vista essa relação, como a arte se comporta na contemporaneidade? Tirando o fato de que as relações dinâmicas as quais estamos visualizando em uma grande velocidade e a nivel global nos fazem ter dúvidas imensas sobre o que se mantém e o que se dissolve pela ligeireza das nossas experiências, uma coisa é certa: a (r)evolução promovida pela globalização atinge todos os modos de vida do planeta, inclusive na produção do campo da arte.

Devemos o avanço global à tecnologia atrelada à ciência, culminando com a Internet (pelo menos nos 50 anos  iniciais de globalização). Na internet, aonde dependemos menos da televisão para escolher-nos o que deve ser consumido e o que deve ser ignorado, vemos nascer em todas as regiões artistas muito talentosos em diversos campos da arte (atores, diretores de cinema, músicos, pintores, desenhistas etc.). A questão que interessa não é saber necessariamente o que a arte produz para representar a vida globalizada, pois este fenômeno é tão recente que provavelmente artistas do mundo todo ainda não conseguiram oferecer uma representação digna de "globalização" a ponto de ser eleita como a tradução de nossa época.

O que importa realmente questionar é como as tecnologias tem modificado profundamente não só as possibilidades de comunicação, informação e deslocamento in the whole world, mas a arte em si.

A impressão básica que se tem é que a arte pela arte começa a perder o sentido justamente onde carece de sentido. O contato com inúmeras formas artísticas ao longo da vida globalizada faz com que a produção de arte tenha sido massificada. (Talvez, na verdade, tenha sido sempre assim. Poderiam sempre ter existido outros DaVincis; o fato de não pertencer à cultura européia ou não dotarem de capital social poderia ter feito desses artistas desconhecidos inexistentes para sempre). Uma vez massificada, é possível encontrar a arte em todos os lugares, falando de todas as coisas, criada por todo tipo de gente que gosta de produzir arte. 

Quando digo que a arte passa a carecer de sentido nesse mar de informações, me refiro justamente por ela ter sentido demais; mas é um sentido quantitativamente determinado, aonde não há tendências a legitimações entre o que é a arte representante desta era global e o que não é. Nesse sentido, a pluralidade de produções que passamos a conhecer banaliza e apaga a tal "aura" do pensamento frankfurtiano do século XX.

O sentido da arte está voltado a seu próprio povo que produz. Além disso, produzimos coisas que são do outro lado do mundo. Existe arte de protesto na mesma medida da arte expressionista. É como se o mundo fosse uma grande tela, o artista fosse uma lata de tinta e a arte produzida fosse cacofônica e ruidosa, a ponto de não sabermos se a admiramos ou achamos tudo aquilo incrivelmente comum demais e, por isso mesmo, sem surpresa. Nesse sentido nem a arte mais bela ou a reprodução manual mais perfeita escapa da admiração rápida, ou até mesmo da falta de admiração.

O computador tem contribuído para isso. Desde que foi possível criar músicas, imagens, editar filmes, fazer a arte manualmente, sem a ajuda dessas técnicas, tem se tornado obsoleta. Repare na reprodução artística de uma pessoa, feita à mão. Coisas que há tempos admiraríamos, hoje poderemos achar bobagem e até perca de tempo, uma vez que essa mesma reprodução se dá quando usamos ferramentas do computador, em apenas alguns minutos.

O que quero dizer é que a arte pela arte está em fase de declínio, pois ela por si não tem como garantir a atenção daqueles que estão apaixonados pela tecnologia e pela capacidade de a tecnologia ajudar o homem comum a ser o melhor dos artistas apenas criando em Photoshop. Enquanto que os verdadeiros artistas, que estudam desde cedo os processos artísticos e se criaram desenvolvendo seu dom e praticando por anos, se veem obsoletos, pois o homem comum, pouco artista, sabe fazer o que o artista faz manualmente num programa de computador.

Para onde estamos indo, afinal?
Não sabemos ao certo, mas há coisas que sabemos que não acompanham a sociedade atual, e a arte pela arte é uma delas. Falar em globalização é falar em capitalismo. Tudo o que é conhecido mundialmente está atrelado às relações de lucro. Talvez a única saída ao artista em seu "tipo ideal" (puro, artista de mão, que não depende de softwares de imagem) seja justamente se agarrar a essas ferramentas para tentar de alguma forma sobressair sobre aqueles que fazem arte, mas não são tão artistas quanto em termos de qualidade. Além disso, a arte pela arte, aquela que se faz pra guardar em quadros ou deixar na gaveta da escrivaninha e mostrar só a quem está por perto está morrendo. É preciso refuncionalizar a arte, da mesma forma que a passagem da arte parnasiana para a da época seguinte no século XX (simbolismo, modernismo). Não sabemos que corrente estes artistas estarão contribuindo a construir, mas se manter contra a maré simplesmente é resignar sua arte pela arte ao esquecimento. Serão mais artistas como aqueles DaVincis esquecidos.