quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Hoje eu acordei deprê.

Hoje eu acordei deprê.
Não sei se é algo que a medicina resolve.
Nem quero saber.
Não quero ter que abrir os olhos.
Eu não quero ver a luz do sol.
Eu não sei quais as cores da manhã.
Nem pretendo saber.
Eu não lembro do gosto da maçã.
Eu não penso em provar.
Hoje eu acordei deprê.
Eu não sei por onde vocês andam
Eu nem sei se quero saber.
Eu sinto frio por falta de um abraço
Mas talvez o frio é algo que eu goste.
Não me interessam os pássaros amando, as folhas caindo, o disco tocando, alguém sorrindo.
Não me interessa o medo da guerra ou o desejo da paz.
Nem o calor mais fugaz.
Eu não quero conhecer o culpado nem a vítima.
Eu nem mesmo sei o que querer.
Enfim, hoje eu acordei deprê.


quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Ação x Estrutura: pelo que você é determinado?

Você já parou pra pensar no alcance que tem as próprias ações? 
Já parou pra pensar se a vida é fruto de uma vontade ou de um contexto? Dito de outra maneira, você acha que você pode ser o que quiser ou o já nasce com o futuro predeterminado devido às dificuldades do local onde nasce?
A academia costuma separar isso em dois conceitos extremos que guiaram por muito tempo a análise sobre a história de vida das pessoas: a Ação e a Estrutura.

Fazer as coisas mediante o reconhecimento do poder da Ação significa perceber o indivíduo como cheio de possibilidades, sem considerar tanto o meio do qual ele faz parte. O indivíduo acaba sendo livre pra fazer o que quiser, se inserir no meio social de maneira planejada e seguir em busca de conquistas planejadas. É uma crença de que ele é livre e pode fazer o que quiser.

Por outro lado, fazer as coisas mediante as influências da Estrutura significa perceber o indivíduo com várias possibilidades de ser alguma coisa, mas sempre reduzido pelo contexto de onde faz parte. Já não interessa a máxima de que ele pode ser o que quiser, pois isso soa falso quando ele surge numa realidade que o limita: seja numa escola de baixa qualidade que o impede de aprender outros idiomas pra poder realizar o sonho de viajar pra fora, por exemplo, seja numa classe social que o coloque desde cedo num ritmo de trabalho que o impeça de se dedicar aos estudos, por outro, ou mesmo seja a vida miserável que tem e que não pode sequer dormir num lar e se alimentar bem.

Assim, diante desse dilema da vida, qual tem razão? Afinal, podemos ser o que quisermos ou já nascemos com nossas limitações? Ação x Estrutura, quem tem razão?

É fato que não podemos negar o nosso contexto. Na verdade, se queremos sermos algo diferente de onde nascemos, é porque o nosso próprio contexto de onde nascemos já está incidindo sobre nós, seja fazendo nos resignar a vivermos sempre no mesmo lugar ou a nos tornarmos tão insatisfeitos com esse lugar, que nos faz irmos em busca de outra realidade, outro espaço, enfim, outro mundo que nos caiba devidamente.
Portanto, nossa ação jamais será exatamente livre de nosso contexto, pois pra que tenhamos consciência dela e nos lançarmos a outros lugares, é porque nosso contexto nos fez ter tal motivo. Mas isso não significa que o contexto nos prende e que, por isso, não podemos sermos o que quisermos.
Justamente por termos alguma insatisfação com nosso contexto e desejarmos rompermos com essas amarras, é que nosso poder de ação se faz presente. Em formato de força de vontade, nos orientamos a escolher entre se resignar ou buscarmos um lugar diferente. A história humana está cheio dessas ambivalências, escolhas entre o ir e o ficar. E escolher é uma dádiva eminentemente humana. 

No final das contas, você pode fazer o que quiser, mas não porque não tens uma estrutura que te moveu a fazer isso, mas justamente porque você a teve. As determinações existem, mas cada uma tem seu grau no indivíduo, cabendo a este estar ciente disso e, portanto, não esperando ficar refém das superstições resignatórias, a não ser que seja de sua vontade ser só mais um.

É por isso que, nas histórias da humanidade, são mais brilhantes aquelas de superação. Quando, mesmo diante de dificuldades, houveram pessoas que alcançaram extremos de conquistas. Pessoas que superaram pessoas medíocres.



terça-feira, 1 de janeiro de 2013

2013

Ele veio pra revolucionar.
Este será um ano dedicado à consagração, em diversos âmbitos. Respirar, amar, estudar e produzir sempre foram os pilares da minha vida. Certamente me acompanharão. Eu já tenho um amor, um objetivo de estudos, uma ideia do que devo produzir. Serão músicas, eventos, textos, livros sobre tantas coisas!
Mas esse ano já não é o de procurar sentido, como o anterior. É mesmo o de partir em direção à luz vislumbrada nesse horizonte pouco claro que foi 2012. Portanto, eis meus objetivos mais prioritários:

Aproveitar a oportunidade de adquirir conhecimento em Coimbra e viver os meses mais acadêmicos da vida.

Voltar em agosto, renovado perante a produção científica, encaminhando para o final do ano o TCC concluído e o projeto de mestrado pra 2014.1 em algum lugar do país, preferencialmente Recife. Publicar artigos sobre música independente.

Gravar e apresentar pro mundo o som da Pormenores.

Manter o nível de desenvolvimento da Subpop até que se lance no mercado em 2014.

Promover e apoiar eventos de sustentação à cultura local.

Cuidar da minha Winne.

A agenda, portanto, já começa lotada. É bom, pra começar a todo vapor.
PARTIU PRA VIVER!

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Rápida Apresentação dos Caminhos Gerais da Teoria Social

As teorias sociais brotam no seio de determinados campos da sociedade e, basicamente, pouco se costuma sistematiza-las numa única linha explicativa, de tal forma que os trabalhos acadêmicos suportam quase sempre no máximo uma linha teórica por produção. Isso se deve ao fato de, em cada trabalho, haver a necessidade ainda de se discorrer o esclarecimento quanto ao objeto e metodologia empregada, além do fato de que todo trabalho acadêmico precisa recortar um determinado ponto da realidade para sua análise. No entanto, não nos viciemos a isto: já houveram sociólogos que decidiram pensar (ou desejar pensar) a sociologia de um ponto de vista de longo alcance, na ambição inclusive de deixar disposto didaticamente um conjunto de leis gerais que governam a humanidade. No embate de visões historicistas contra positivistas, essas ambições foram muitas vezes desconstruídas e reconstruídas. Ao longo das décadas de desenvolvimento das ciências sociais, portanto, vários tentaram contribuir para a ciência, seja em seus próprios métodos e teorias, seja na adaptação de teorias anteriores. Hoje, por conta de tudo isso, dispomos de diversas teorias que se encaixam – ou não – umas nas outras, e é sobre este fato que tento discorrer aqui.

Na infância dessa ciência, o pensamento era confiado na capacidade da total compreensão do mundo a partir da razão. Esse racionalismo foi base fundamental para o desenvolvimento da corrente filosófica do positivismo, e consequentemente, da ciência positivista. Isso implicou no fato de que vários sociólogos dessas décadas se ocupassem em querer estabelecer explicações gerais sobre a sociedade, estabelecendo leis sociais que valessem em qualquer campo considerado social. Nos anos seguintes, caminhando para a adolescência da sociologia, vimos uma ciência cada vez mais preocupada com seus métodos, ao passo que critica as relativas explicações fáceis do positivismo. Assim, a ciência adolescente se critica, não aceita que a realidade seja produto da natureza como os processos químicos e físicos, pois a racionalidade humana é de propriedade de todos, cientistas ou não, e isso faz com que se pense que os homens do mundo não são apenas sujeitos reativos e predeterminados roboticamente a servirem sempre segundo as leis sociais. A constatação disso, e consequentemente negação da argumentação relativamente simples da linha positivista, fez com que emergisse a necessidade de considerar o contexto e o sentido das ações sociais entre os indivíduos, para só então compreender como as relações sociais passam a ser determinadas (ou influenciadas), cada uma de acordo com sua expecificidade. Essa necessidade de considerar fatores históricos fez com que a ciência se tornasse mais modesta do que quando era ambiciosa, e abriu caminho pra uma série de novas teorizações – e críticas.

A primeira parte da fase adulta da ciência tinha em vista revisar todo o debate travado entre positivistas e historicistas e, a partir daí, buscar alguma forma de conciliação ou mesmo terceira via da teoria social. Diversos autores, durante toda a primeira metade do século XX, vieram a desenvolver teorias de ordem microssociológica como o estudo de representações sociais, comportamento e organização social. Parsons, Goffman, Simmel , entre outros, buscavam compreender a sociologia a seu modo, desenvolvendo argumentações anteriores e propondo novos problemas. Mas um embate continuava sendo explícito, filho das problemáticas entre positivistas e historiadores: era a luta estrutura x ação. Essa luta seguiu-se para a segunda metade da fase adulta, no qual surgem como expoentes do estudo autores como Pierre Bourdieu, Anthony Giddens e Norbert Elias. O primeiro, resgata um pouco da tradição das teorias sociológicas clássicas, buscando resolver o impasse da relação entre estrutura x ação. Sem dar muito espaço para o domínio de um sobre outro, estabelece o conceito de habitus para servir de possível via de trânsito entre as duas extremidades (o indivíduo, de um lado, e a sociedade, de outro). O liquidificador teórico da argumentação de Bourdieu continua atual, apesar de haver críticas a este quanto à ambição de dar conta da sociedade do mundo como os pensadores clássicos. O segundo autor, caminhando na mesma preocupação para resolver o impasse, desenvolveu o conceito de estruturação (Estrutura + Ação) da sociedade. Apesar de não ser um conceito facilmente claro, as argumentações de Anthony Giddens continuam sendo atuais e seguindo uma nova linha de preocupação sociológica no porvir de nossas próximas décadas, qual seja a de ordem pós-estrutural, pós-moderna ou crítica da posmodernidade. O terceiro autor tenta não entrar no embate direto da relação estrutura e ação. Mas para ele, é fundamental manter-se no questionamento das implicações da sociedade perante o indivíduo e vice-versa. Para isso, estabelece na conceituação das configurações sociais uma forma de perceber que tensões sociais existem nas relações, e estas tensões não devem passar despercebidas pelo olhar frio da ciência social. A lógica de compreensão do conceito de figuração se apropria, portanto, da unidade fenomenológica do indivíduo, por um lado, e das características moldadas e moldadoras da sociedade ao qual ele está inserido, por outro.

Tanto Elias, quanto Bourdieu, quanto Giddens, Parsons, Goffman, Simmel (e outros não menos importantes como o filósofo Michel Foucault, os fenomenólogos Harold Garfinkel, Alfred Schutz, a escola de Frankfurt) além dos clássicos autores das ciências sociais (Durkheim, Weber, Marx) e seus filósofos precursores (Saint-Simon, Comte, Nietzsche, Hegel), contribuem diversamente, ora despontando para outros assuntos, ora tentando resolver os embates teóricos mastigados por décadas, para o grande prato eclético de saladas teóricas das ciências sociais, no intuito de estabelecerem formas de pensar para cada fenômeno da vida social, que é igualmente eclético. A constituição subjetiva do indivíduo + a inclusão dele na sociedade e sua disposição para agir socialmente + a configuração que ele estabelece num meio social, seja para influenciar ou ser influenciado ou ambos os acontecimentos + o modo como ele se comporta em busca de seus objetivos + as regras preestabelecidas no meio onde vive + as relações objetivas que implicam na moldura das formas de expressão, além de influenciarem sua representação de mundo + as teorias sociais gerais, estruturadas ou construídas no dia-a-dia são assuntos pertinentes e que, apesar de serem de difícil fôlego para um único pesquisador dar conta, juntas somam o que há de possibilidades da sociologia quanto à compreensão do meio social, seja ele local ou universal.

É por isso que a sociologia é uma ciência rica e talvez a mais fantástica de todas.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

I Don't Know.

I don't know how tomorrow will be
Don't know who I am today, or until when I will be.
I Just know I am walking in my truth.

I don't know how many times I'll get myself confuse
Don't know say that everything's the same.
I just know what to wish today and today I'll work for it.

I Don't know if the fact of don't know will separate us
Or if it will save us.
I just know I'll love you even if you go.

'Cause you can go, but my feeling no.
I don't know.
But I know.

I don't know about weather
I don't know about speed
But I know time change us all the time.

We're slaves of time.
But we don't have to down or heads for it.
I don't know exactly how,
But we need to react.

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

If it could be ok for you...


I'm walking through the whole night
I'm seeking for my partner's soul
I crossed all the kinds of life
And I'm still wondering where'd you go

If I sing a sad song tonight
Is because I wish you to know
I've missed you all this time
I think I like you so.

That's why I'm back today.

I've got myself looking from the edge
I've got myself aiming against the sun
Trying to train things that has come undone
Just to never be blind again.

Just want to be everything ok for you
To be good for me too.
That's why I am here
Giving a new chance to believe.

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

A brand new way to take me off the pain


Confess that I'm a little bit afraid.
Sometimes things aren't the same
It's part of life living coming and going
'Cause rise and fall are the faces of the same coin

But your eyes hang me out of the pain
They withdraw me from fear
They put me a subtle smile again
And they set me to a brand new way
I feel.

It takes me off the pain
And under the rain
When I see your smile again
It takes me off the pain

Although you couldn't ever understand
I heard you voice telling me everything's ok
I think I've found my faith factory
Yeah, and you've been opened up this gate


'Cause your eyes hang me out of the pain
They withdraw me from the fear
They put me a subtle smile again
And they set me to a brand new way
It's real


It takes me off the pain
And under the rain
When I see your smile again
It takes me off the pain