sexta-feira, 25 de maio de 2012

Afinal, porque a geração anos 90 anda tão down?




Algo que tem me chamado atenção ultimamente é o fato de a temática da morte ser tão difundida na boca de jovens. Trajados de frustrações de diversas naturezas, logo parecem se render a situações extremas. Sem desconsiderar que cada caso de frustração tem sua própria razão (psicológica, social, fenomenológica), também percebemos que esse discurso não é raro para uma parcela da juventude que faz parte de uma certa faixa etária e também de uma determinada classe social. Pelo menos é o que tem aparecido para mim enquanto  uma rápida reflexão diante dos contatos que tive nos últimos tempos com pessoas com crises existenciais. A grande dúvida, no entanto, é: isso faz parte somente das últimas gerações ou é por que estamos numa sociedade confessional estruturada na internet que essas frustrações passam a ser mais conhecidas? Não se sabe ao certo, mas é possível encontrar alguns fragmentos desse quebra-cabeça.

Antes, costumávamos compartilhar frustrações com as pessoas mais próximas: alguns poucos amigos, familiares, cônjuges. Hoje, com o avanço tecnológico em favor de novas formas de sociabilidade, os laços sociais se ampliam e adquirem novas nuances, e isso permite uma conversação padronizada (por meio do texto e do vídeo) para todos, amigos de sempre ou recém-conhecidos. Também surgem novas relações sociais, e o prazer da conversação que surge como um dos valores dessas estruturas que são os sites de rede social tornam as pessoas muito mais propensas a conversar coisas sobre diversos temas, incluindo suas próprias frustrações. É nesse contexto que novas pessoas vêm até nós e passamos a conhecer suas vidas a partir do momento que elas se permitem a compartilhar a própria percepção da vida conosco. Além disso, os blogs, apesar de possuir menos movimentação no compartilhamento de anseios comparado às mídias sociais, são estruturas que funcionam como o diário do século XXI. Essas são características básicas da sociedade confessional.

A tecnologia que orienta as mídias sociais também tem promovido outros valores, como o narcisismo. Mídias sociais como o Facebook ou Twitter, aonde você costuma ser o que você escreve e você só existe no espaço virtual para seus amigos enquanto estiver produzindo conteúdo (na maioria das vezes textual), são exemplos emblemáticos. Assim, qualquer coisa que postemos é considerado um conteúdo a ser lido pelos que fazem parte da nossa rede social na internet. E quando não há muito a oferecermos à rede, acabamos compartilhamos coisas do cotidiano que beiram a futilidade. A partir dessa nossa autopermissividade, também surge uma crença de que o nosso cotidiano possa interessar a quem nos segue - ou pelo menos não estamos nos importando com o que os outros vão ler quando postarmos coisas sem informações relevantes. Mas acredito que uma pessoa que cria um perfil de Twitter que tem 0 seguidores não iria para o site querer compartilhar suas frustrações. Nos é preciso um público que consuma o que estamos produzindo, mesmo que não escrevamos nada de relevante. Assim, saber que tem alguém que pode nos ler diante de qualquer tweetada ou atualização de status no facebook nos torna narcisistas a ponto de acharmos que nossas atualizações têm algum valor por parte daquele que lê, como se o simples fato de os outros nos lerem fosse já um prêmio conquistado. Assim, compartilhar nossas piadas internas, sentimentos e qualquer outra coisa se torna importante para nós porque achamos que alguém se importaria com isso. Expressões de narcisismo.

Esses são apenas alguns elementos de como a geração atual possui ferramentas para produzir seu discurso extremos com relação à vida. Mas isso ainda não determina que só estas gerações tenham carregado consigo essas temáticas existenciais. Talvez precisamos lembrar de algum movimento de insatisfação anterior para indicar que houveram outros meios de compartilhamento da frustração. E encontramos isso no Existencialismo e nas expressões artísticas do Século XX (o expressionismo, cubismo, dadaísmo como formas de expressão de mal-estar da sociedade durante as guerras mundiais). Ainda que não houvesse com quem ter um feedback conversacional com qualquer pessoa do mundo, as insatisfações eram compartilhadas numa obra de arte, num livro ficcional ou nos bares boêmios. Falando em boemia, não podemos esquecer todo o mal-estar que acompanhou a juventude adepta do Romantismo do mal-do-século do século XIX, devotos de Lord Byron, Goethe etc. 

Por esses exemplos, sinceramente não acho que a geração suicida seja a dos anos 90, ainda que com todo o movimento grunge  e o pós-punk tenham disseminado a negatividade e o punk, a anarquia que deixaria Émile Durkheim amedrontado, tenham conquistado fãs ao redor do mundo e semeado esses sentimentos de niilismo. Mas não devemos ignorar que, assim como era específica cada época que envolveu as insatisfações de seus jovens e suas expressividades a favor do suicídio, a geração anos 90 também tenha suas insatisfações. A especificidade desta época atual é que podemos, pela primeira vez, ver uma geração com voz, e isso faz com que descubramos algumas coisas. Abaixo estão listados alguns pontos construídos em torno da minha relação com pessoas que carregam o discurso niilista:

1. É muito comum esse sentimento negativo da existência, 
2. Costumamos praticar esse sentimento por frustrações relativamente comuns, como crises de identidade, crises amorosas ou de relacionamento com o mundo.
3. A faixa etária desse tipo de niilismo está entre os 15 e 25 anos (essa faixa etária pode mudar, baseei-me por considerar que seja a época em que a juventude amadurece e ainda está fora do mercado de trabalho, ocupando-se de pensar e praticar outras coisas que não a preocupação com o trabalho, que se tornaria mais comum depois dos 25 por inúmeros motivos, entre eles a necessidade de construção familiar).
4. É possível que as regalias que a juventude tem hoje faça com que elas tenham se preparado menos para lidar com a vida se comparado a seus pais, e isso se deve muitas vezes à criação. Para compreender melhor  esse fenômeno de produção de novos niilistas, a jornalista Eliane Brum criou esse texto fantástico: http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI247981-15230,00.html 

Se ao menos eles dessem tempo ao tempo...

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Fazer quem mais você ama te odiar é suplicar a Deus para ter uma nova vida, porque essa está toda errada.

terça-feira, 22 de maio de 2012

All in tears


Take a look at me.
And throw me away soonly.
It is not that you got a hate
It is 'cause I made you just to hate.
I can explode sometimes
And don't know where the fragments are going to
But all I know is that hurt so much more in me than anybody else.
But there's no way back for me.
And I'm so sorry for have hurt along the life.
No one likes, but this is the only way.
I'll never bother nobody else.
Just to never make happen to hurt you again.
Now I understand why I have to be alone.
A monster is what I really am, not an ideal human that I ever tried to be.
I'm all in tears
Forever in apologies
What I've got is nothing.
I've lost my friends
Lost my family
Lost everything
Lost you.




segunda-feira, 21 de maio de 2012

Em busca de proteção

Hoje eu acordei querendo estar protegido. Se não existe no meu espaço social essa possibilidade, eu tenho que alavancá-la dentro de mim mesmo ou com minhas ferramentas que sempre me acompanharão. Elas não vão embora, elas são fiéis.

Toda relação social está fadada ao desgaste. O modo como vamos lidar com isso é o que vai decidir a durabilidade dela. Estruturar os próprios valores somente nas pessoas requer que nos reinventemos sempre durante o tempo que existirmos - pois a satisfação de "interconsumo" será sempre insaciável -, e isso corrói a nós mesmos por dentro quando não queremos ou não temos mais nada a oferecer a ninguém.

Sorrir com o sorriso dos outros é um demasiado perigo humano por nos fazer crer nessa interdependência. É preciso haver um pouco mais de elevação de convicções dentro de si mesmo para suportar um adeus de quem a gente "ama".

Ame a si mesmo antes de qualquer um. Definitivamente, é cada um por si. Não há razão real para fazer dos outros nossa fonte de felicidade, rancor, tristeza, culpa. Pessoas agem organicamente, física e sentimentalmente todas elas acabam algum dia e isso tem um peso negativo de volta pra nós. A única coisa que podemos fazer é reduzir esse impacto negativo.

Hoje eu acordei querendo fazer meu castelo sem o auxílio de ninguém. Sou só eu e os meus livros. Eles serão minha fortaleza, ainda que eu caia algumas vezes pela paixão. Meus livros são frios, objetivos, sinceros, e o melhor de tudo: eles não mudam de humor nunca. Posso confiar nessa proteção.

domingo, 20 de maio de 2012

Mor

Ela me olha com ar de repugnância.
Em seu rosto o sorriso se foi como uma chance perdida.
Ela me tem nas mãos, eu estou preso à ela por um cordão umbilical eterno
Ela só quer que eu sirva pra qualquer coisa
E nada mais.

Ela me nega constantemente
Ela não me lê, não me ouve, não me vê nem me sente
Ela diz que o mundo é o que ela acreditar e que eu finjo
E nada mais.

Ela me crucifica com sinceridade
Não há maldade em seu coração
Eu não posso culpá-la não de pensar como eu
Eu não posso culpá-la de desejar que eu seja normal.

Eu não consigo ser. E me odeio por isso.
Me odeio por eu não ser do jeito que você quer que eu seja.
Me odeio pelo sorriso que eu não posso te dar. Não sou calmo, mas sou sincero.


Não consigo nos trazer felicidade.
Tudo o que ela esperava de mim na verdade se tornou uma surpresa ruim
Eu não caibo no seu conceito.
Eu preciso mesmo de um tempo só pra mim, por favor não confunda com individualismo.

Entenda, eu amo. E por amar eu tento traçar um caminho diferente.
É por amar que eu não decidi ser só mais do mesmo.
É por amar que eu estou em volta de livros, violões, silêncio.
É por amar que eu não quero mais ficar aqui.

Que ela fique com sua família, eu sou mesmo um deserdado isolado.
É que eu nunca vou me adequar aos padrões dela.
E no dia que eu fizer isso, eu já não terei mais razões para existir.

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Coisas que tenho aprendido

Aprendo o tempo todo, de todas as formas. Ultimamente aprendi algumas que me intrigam.

A minha vida é o disco do Barão Vermelho de 2004, e é já pela segunda ou terceira vez. Do começo ao fim.

Aprendi ainda que tudo me impulsiona a crescer sozinho, ainda que eu não queira. Qual o prazer de rir sozinho? Qual o prazer de ser o único a ganhar? De receber elogios singularmente? Isso não me agrada.

Aprendi também que há palavras que pulam de nossa consciência mesmo que a gente pareça mostrar o contrário. Foge de nós, tem vez que isso é bom e é ruim. Ultimamente não tem sido muito proveitoso, baseado em experiências.

Aprendi que não dá mais para viver no eterno ciclo. Nossa vida provavelmente deve ser um labirinto, tomadas de caminho pode nos fazer voltar ao mesmo ponto e outras podem nos lançar a campos inéditos. Tanto um como o outro têm suas dores, então não tem pra quê ter medo de feridas. Faz parte.

Aprendi também que existe uma distância interna entre o que sinto que queria ser e o que posso ser de fato. E isso pauta o meu dia-a-dia com todas as forças.

Por fim, há a descoberta do fluxo constante do tempo. Constante, porque está em fluxo. Se parar, é o não-tempo, o tempo morto para se aplicar a vida. Isso faz com que apartemos o saber viver do sobreviviver. Acho que só depois que consegui me lançar ao caos cotidiano estou descobrindo como é bom ter de ter objetivos, ainda que eu não os tenha claramente. Mas de uma coisa eu sei: eu já não quero ser o mesmo ser improdutivo de antes. Valorizo cada respiração, cada centavo, cada segundo, cada dia de cada vez. Descobrir isso talvez me salve do niilismo.

Enfim, é isso.

terça-feira, 15 de maio de 2012

Eu não sei o que fazer.

Eu não sou tão paciente.
Eu não sou o mesmo por fora e por dentro.
Eu não sou anjo da guarda de ninguém.
Eu não sou bom moço.
Eu não sou tão aplicado.
Eu não sou certo.
Eu não penso em estar errado.
Eu não vivo em filantropia.
Eu não penso o tempo todo.
Eu não desejo muita coisa.
Eu não faço nada de importante.
Eu não morro de amores pela vida.
Eu não nego que já pensei na própria morte.

Eu não escondo que amo.
Eu não sei fazer isso direito.
Eu não sei ser sozinho.
Eu não aprendi a ficar junto.

Eu não sou o que você pensa de mim, e se eu for, provavelmente eu não estarei sendo eu.
Eu não.

A tragédia dos contemporâneos

Não estamos mais seguros de nada sobre nós mesmos.
Não dominamos nossos próprios sentimentos.
Eles fugiram, saltaram a todas as fortalezas de nossa razão.
Foram embora e nós não ignoramos a fuga.
E perseguindo, no caminho torto que nos deixa cego de déja vus, passamos por tantas histórias
Olha ali aquela cicatriz. Olha ali aquele futuro.
Que medo, eu não quero sofrer novamente.
Mas esse não é o problema que dividimos sentados à mesa.
No cardápio tem tanta coisa que poderíamos fazer,
Mas nossa tragédia é não ignorar o passado.
E deixamos pra nunca a chance de tentarmos ser melhores, mais felizes.

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Medo

Esse medo
Esse medo não é normal
A minha segurança nunca foi normal
Respeite as minhas incertezas, ela faz parte de mim.

Esse medo
Medo de fazer dormir o tempo todo
Medo de não acordar ou de fazer algo mais
Eu acho que eu tenho medo de existir.

Não me toque
Mas não fique longe de mim
Eu ainda não me decidi
Sobre qual destino vai me ver morrer.

E do seu lado
Só me resta o bom desconforto
De deixar de ser este ser absorto
Pra viver, pra sorrir

Tudo o que se é agora não se quer mais ser
Mas tudo o que vir depois há de se temer
E eu tenho medo
Medo de mim, medo de você

Eu tenho medo
Mesmo que não haja mais a que se temer.
Eu tenho medo de mim
Eu tenho medo de você.

Eu preciso de nós.

domingo, 13 de maio de 2012

A carta anexa à foto.

"Less is more, love is blind..."

Ahah, pare esse som agora. A quem você quer enganar?

Pobre Foler. Sempre se dando mal.
Ao menos se você amasse menos
Ao menos se você acreditasse menos
Você sofreria bem menos, rapaz.
Tudo parece realmente seguir na direção em que você quer deixar de lado. 
Em nome do quê mesmo? Há alguma razão para suas noites insones?
O mundo nem parece que muda, porque você vive as mesmas coisas o tempo todo.
Eu não vou dizer que não me sinto envergonhado de você, pobre foler.
Mas admiro sua capacidade de pensar que o mundo ainda é como era a duzentos anos atrás.

Hum... Sendo fabricado pelas histórias que não viveu, é isso o que você está se procurando se tornar desde que nasceu? Eu sei, falta algum sentido pra vida, mas não procure aonde você não cabe. Enfrente a realidade, ninguém nunca disse que ela seria boa para você.

Desculpe Foler, mas você não me engana.
Nem esse humor ácido
Nem esse sorriso sem graça.
Por trás de tudo isso há um outro alguém que só podemos ver quando você está só. Só eu e você.

Vou ser sincero. 
Você está perdidinho.
De amor, de ódio, de ciúme e de confiança, de incertezas e convicções, de contradições e coerências. Sim, tudo isso, liquidificado por dentro e tão irreconhecível que ninguém que o conhece por fora vê.
E quem acha que isso tudo não cabe num ser só é porque ainda não lhe conheceu.

Apenas viva, rapaz. O tempo tratará de te mostrar os próximos capítulos.

Por fim, não vou desejar que seja feliz ou que se cuide. Porque isso não se deseja, isso só depende de você e de suas ações. Pense neste resto de noite, porque a partir de amanhã a sua vida recomeça na semana para todos os outros que te "conhecem".

Mas encontre seu caminho e vá em paz.

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Camiseta nirvana In Utero










Transgressões


Eu queria poder fazer o que não parece digno pra você
Transgredir o que nos é proibido pelo modo como estamos
Sorrir sem fim, ter a sorte de ter perto de mim
Alguém que não me faça pensar em solidão

Acho realmente cara a palavra sincera
Mas a uso sem medo quando estou em guerra
Comigo mesmo procurando explicação.
E no final, um novo dia amanheceu.

E até que outro dia possa vir
Tudo parece prever que nossa distância é real
E quanto mais você parece se afastar
Mais eu respiro fundo procurando por você.

E quando você está perto de mim
Mais eu respiro fundo pensando em você.
E quando temos que nos deixar
Mais eu respiro fundo pra ter que voltar à ortodoxia da vida.




sábado, 5 de maio de 2012

Try to catch up...




Na ira eu vejo a pureza pra filtrar todos os males que antecedem e adiantam a própria negação.

Na mentira eu vejo a inveja de quem vive os outros para esquecer de viver a si mesmo.
No caos eu vejo além da doença de quem pretende apenas ser normal.
Mas na palavra eu não vejo nada porque eu vejo tudo nas ações.

I am not a pattern to be followed
The pill that I'm on is a tough one to swallow
I'm not a criminal
Not a role model
Not a born leader
I'm a tough act to follow
I am not the fortune and the fame
Nor the same person telling you to forfeit the game
I came in the ring like a dog on a chain
And I found out the underbelly's sicker than it seems
I am the opposite of wack
Opposite of weak, opposite of slack
Synonym of heat, synonym of crack
Closest to a peak
Far from a punk
Start trying to catch up, motherfucker

And, you're sure
You've hurt in a way
That no one will ever know
But, someday
The weight of the world
Will give you the strength to go

So come down, far below
We've been waiting to collect the things you know
Come down, far below
We've been waiting to collect what you've let go

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Where nothing is like cotton clouds.

Well, We'll be back to the start where nothing is like cotton clouds.
Who said there's nothing left to lose should be right anywhere, but not here.
Angry people get they fucking life as a dream.
And we back to nowhere searching for a self steem.

Listen for the last time,
I'll never repeat it too loud:
We are back to the start
Where nothing is like cotton clouds.

Should we dance on next winter party?
Should we live on a same reality?
When we have nothing to do
When we have nothing to be?


Listen for the last time,
I'll never repeat it too loud:
We are back to the start
Where nothing is like cotton clouds.


Nothing is.
Never is.
Pain
Is like clothes that we're wearing out without want
Or we want?