domingo, 20 de maio de 2012

Mor

Ela me olha com ar de repugnância.
Em seu rosto o sorriso se foi como uma chance perdida.
Ela me tem nas mãos, eu estou preso à ela por um cordão umbilical eterno
Ela só quer que eu sirva pra qualquer coisa
E nada mais.

Ela me nega constantemente
Ela não me lê, não me ouve, não me vê nem me sente
Ela diz que o mundo é o que ela acreditar e que eu finjo
E nada mais.

Ela me crucifica com sinceridade
Não há maldade em seu coração
Eu não posso culpá-la não de pensar como eu
Eu não posso culpá-la de desejar que eu seja normal.

Eu não consigo ser. E me odeio por isso.
Me odeio por eu não ser do jeito que você quer que eu seja.
Me odeio pelo sorriso que eu não posso te dar. Não sou calmo, mas sou sincero.


Não consigo nos trazer felicidade.
Tudo o que ela esperava de mim na verdade se tornou uma surpresa ruim
Eu não caibo no seu conceito.
Eu preciso mesmo de um tempo só pra mim, por favor não confunda com individualismo.

Entenda, eu amo. E por amar eu tento traçar um caminho diferente.
É por amar que eu não decidi ser só mais do mesmo.
É por amar que eu estou em volta de livros, violões, silêncio.
É por amar que eu não quero mais ficar aqui.

Que ela fique com sua família, eu sou mesmo um deserdado isolado.
É que eu nunca vou me adequar aos padrões dela.
E no dia que eu fizer isso, eu já não terei mais razões para existir.

Nenhum comentário:

Postar um comentário