Não se sabe ao certo o quão maldito um sonho é. E obviamente não falo aqui dos sonhos que provocam objetivos, mas aqueles que provocam sentimentos. O tal do sonho prático.
Deus, não bastava o tempo todo passando a acreditar num sentimento de dependência? Assim que minha consciência me liberta e eu pareço encontrar a serenidade que precisava, veio a madrugada e sua criatividade tomou conta de todo o espaço de tempo que eu tenho desde o momento que fecho os olhos até os que eu abro. Não se sabe ao certo a origem dos sonhos. Não se pode apenas atribuir à experiência da vida prática. Afinal, qual o sentido dos pesadelos dos bebês? Sempre tem algo a mais que torna intensas as coisas familiares a nós. O sonho deve ser o meio de algo latente, uma verdade ou mentira embutida na consciência.
Mas nem sempre as coisas são reais. A propósito, quase nunca são. A propósito, um sonho é tão um fato não-realizado que se conceitua como uma potencialidade, uma possibilidade, uma esperança, um desejo. Não existem sonhos que retratem o que existe de verdade. Mas sonhos podem mudar uma realidade. Essa é a metáfora para aqueles que vão atrás de seus sonhos.
Nos últimos meses, mais forte ainda nos últimos dias, os sonhos tem se tornado uma maldição. Volta e meia eu sonho contigo. Volta e meia eu tenho contato contigo da maneira que eu queria ter de verdade. Só no sonho eu consigo de fato encontrar uma realidade desejável perante a ti, o que me fez querer dormir muito por um tempo. A verdade, no entanto, é muito mais fria. A verdade é que não passa de paixão. A paixão é, invariavelmente, a distorção da realidade. Uma supervalorização baseada na força de desejo que temos sobre alguém ou alguma coisa. A paixão brota de vários lugares, mas tenho minhas desconfianças de que ela se dá melhor projetada durante os sonhos. E ultimamente eles têm aprontado tanto comigo... Deus, o que é o sonho? Bom ou ruim? Não sei. Vai ver ele nem se pauta por isso. Existem sonhos bons e pesadelo e não tem como o que eu sonho contigo seja um pesadelo. Mas torna pesadelo a vida desperta, racional, sem o domínio da paixão, ou pelo menos sem a paixão aflorada pela minha crença de que nada existe mais.
Desculpa tentar entender o que eu sinto. Não sei até que ponto os sonhos mentem pra mim.
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