quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Peraí sociologia...

"Peraí sociologia, deixa eu ver se entendi: cê tem um monte de teóricos que geralmente se criticam. Uns dizem que a realidade é assim, outros dizem que é assada. Só de vez em quando há um bom senso complementar entre uma e outra visão, e o sucesso da fama do teórico é o que o faz seguir lembrado ao longo dos anos. Pode isso, Comte?"

Essa reflexão é comum quando os estudantes recém-chegados de Ciências Sociais estão em contato com autores teóricos e logo veem a aparente "guerra de negação" entre um e outro para suplantarem sua teoria. E por vezes a forma de entender a ciência dessa forma é capaz de fazer muitos desistirem e acharem que é perca de tempo estudar aquilo que até hoje é uma grande incógnita: o nosso mundo.

Se você ver bem, no entanto, não se trata de puras anulações teóricas. Essa "guerra", que há também na filosofia e em diversas outras ciências humanas, são parte integrante da própria lógica de construção das ciências que pensam o homem e suas relações com sua própria espécie e com a natureza. É comum que hajam autores que, em prol de sua própria valorização teórica, busquem criticar as teorias existentes e eu não vejo isso (pelo menos não mais, diferente de quando eu também pensei logo no início do curso, há 4 anos) como um entrave à ciência. 

Notemos que quanto mais se critica, mais se coloca uma nova questão a se refletir, aonde o autor criticado não levou adiante por algum motivo. Nesse caso, cabe aos novos sociólogos, aqueles que criticam, identificarem o eventual engano ou limitação teórica e propor um novo caminho. 

Renovar as teorias é algo enriquecedor. Logo, nossa ciência não é como aquelas, cujas descobertas são colocadas numa gaveta e eternizadas. São ciências frias, exatas, mas sem nenhuma chance aos cientistas de intervirem na teoria com uma nova forma de pensar o mundo, mais enriquecedora do que aquela que alguém pensou há 500 anos.

Novas teorias sugerem que há uma ebulição da realidade social e a eterna necessidade de verificar e estudar sua dinâmica. Tais argumentações também indicam como a nossa sociedade muda, e como mudamos nossos valores e cultura diante dessas dinâmicas. Ao mesmo tempo, vemos a complexidade do que a sociologia tenta empreender. Realmente é impossível dar conta de todas as relações dignas de análise sociológica a partir de um único autor. A complexidade da realidade social tem contribuído para novas e especificas teorizações, dentre as quais estão as que jamais podem se misturar por se tratar da dinâmica específica da realidade sobre a qual se está sendo construído o estudo.  No fim das contas, o debate entre a continuidade de uma teoria clássica ou o rompimento com uma análise nova da realidade promovem reflexões inéditas, e talvez isso seja o mais sensacional de nossa ciência social.

E é assim, verificando, corrigindo ou criticando, que marcamos nossa existência e desenvolvemos nossa contribuição para a ciência! Isso não é ótimo, Comte?

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