segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Rápida Apresentação dos Caminhos Gerais da Teoria Social

As teorias sociais brotam no seio de determinados campos da sociedade e, basicamente, pouco se costuma sistematiza-las numa única linha explicativa, de tal forma que os trabalhos acadêmicos suportam quase sempre no máximo uma linha teórica por produção. Isso se deve ao fato de, em cada trabalho, haver a necessidade ainda de se discorrer o esclarecimento quanto ao objeto e metodologia empregada, além do fato de que todo trabalho acadêmico precisa recortar um determinado ponto da realidade para sua análise. No entanto, não nos viciemos a isto: já houveram sociólogos que decidiram pensar (ou desejar pensar) a sociologia de um ponto de vista de longo alcance, na ambição inclusive de deixar disposto didaticamente um conjunto de leis gerais que governam a humanidade. No embate de visões historicistas contra positivistas, essas ambições foram muitas vezes desconstruídas e reconstruídas. Ao longo das décadas de desenvolvimento das ciências sociais, portanto, vários tentaram contribuir para a ciência, seja em seus próprios métodos e teorias, seja na adaptação de teorias anteriores. Hoje, por conta de tudo isso, dispomos de diversas teorias que se encaixam – ou não – umas nas outras, e é sobre este fato que tento discorrer aqui.

Na infância dessa ciência, o pensamento era confiado na capacidade da total compreensão do mundo a partir da razão. Esse racionalismo foi base fundamental para o desenvolvimento da corrente filosófica do positivismo, e consequentemente, da ciência positivista. Isso implicou no fato de que vários sociólogos dessas décadas se ocupassem em querer estabelecer explicações gerais sobre a sociedade, estabelecendo leis sociais que valessem em qualquer campo considerado social. Nos anos seguintes, caminhando para a adolescência da sociologia, vimos uma ciência cada vez mais preocupada com seus métodos, ao passo que critica as relativas explicações fáceis do positivismo. Assim, a ciência adolescente se critica, não aceita que a realidade seja produto da natureza como os processos químicos e físicos, pois a racionalidade humana é de propriedade de todos, cientistas ou não, e isso faz com que se pense que os homens do mundo não são apenas sujeitos reativos e predeterminados roboticamente a servirem sempre segundo as leis sociais. A constatação disso, e consequentemente negação da argumentação relativamente simples da linha positivista, fez com que emergisse a necessidade de considerar o contexto e o sentido das ações sociais entre os indivíduos, para só então compreender como as relações sociais passam a ser determinadas (ou influenciadas), cada uma de acordo com sua expecificidade. Essa necessidade de considerar fatores históricos fez com que a ciência se tornasse mais modesta do que quando era ambiciosa, e abriu caminho pra uma série de novas teorizações – e críticas.

A primeira parte da fase adulta da ciência tinha em vista revisar todo o debate travado entre positivistas e historicistas e, a partir daí, buscar alguma forma de conciliação ou mesmo terceira via da teoria social. Diversos autores, durante toda a primeira metade do século XX, vieram a desenvolver teorias de ordem microssociológica como o estudo de representações sociais, comportamento e organização social. Parsons, Goffman, Simmel , entre outros, buscavam compreender a sociologia a seu modo, desenvolvendo argumentações anteriores e propondo novos problemas. Mas um embate continuava sendo explícito, filho das problemáticas entre positivistas e historiadores: era a luta estrutura x ação. Essa luta seguiu-se para a segunda metade da fase adulta, no qual surgem como expoentes do estudo autores como Pierre Bourdieu, Anthony Giddens e Norbert Elias. O primeiro, resgata um pouco da tradição das teorias sociológicas clássicas, buscando resolver o impasse da relação entre estrutura x ação. Sem dar muito espaço para o domínio de um sobre outro, estabelece o conceito de habitus para servir de possível via de trânsito entre as duas extremidades (o indivíduo, de um lado, e a sociedade, de outro). O liquidificador teórico da argumentação de Bourdieu continua atual, apesar de haver críticas a este quanto à ambição de dar conta da sociedade do mundo como os pensadores clássicos. O segundo autor, caminhando na mesma preocupação para resolver o impasse, desenvolveu o conceito de estruturação (Estrutura + Ação) da sociedade. Apesar de não ser um conceito facilmente claro, as argumentações de Anthony Giddens continuam sendo atuais e seguindo uma nova linha de preocupação sociológica no porvir de nossas próximas décadas, qual seja a de ordem pós-estrutural, pós-moderna ou crítica da posmodernidade. O terceiro autor tenta não entrar no embate direto da relação estrutura e ação. Mas para ele, é fundamental manter-se no questionamento das implicações da sociedade perante o indivíduo e vice-versa. Para isso, estabelece na conceituação das configurações sociais uma forma de perceber que tensões sociais existem nas relações, e estas tensões não devem passar despercebidas pelo olhar frio da ciência social. A lógica de compreensão do conceito de figuração se apropria, portanto, da unidade fenomenológica do indivíduo, por um lado, e das características moldadas e moldadoras da sociedade ao qual ele está inserido, por outro.

Tanto Elias, quanto Bourdieu, quanto Giddens, Parsons, Goffman, Simmel (e outros não menos importantes como o filósofo Michel Foucault, os fenomenólogos Harold Garfinkel, Alfred Schutz, a escola de Frankfurt) além dos clássicos autores das ciências sociais (Durkheim, Weber, Marx) e seus filósofos precursores (Saint-Simon, Comte, Nietzsche, Hegel), contribuem diversamente, ora despontando para outros assuntos, ora tentando resolver os embates teóricos mastigados por décadas, para o grande prato eclético de saladas teóricas das ciências sociais, no intuito de estabelecerem formas de pensar para cada fenômeno da vida social, que é igualmente eclético. A constituição subjetiva do indivíduo + a inclusão dele na sociedade e sua disposição para agir socialmente + a configuração que ele estabelece num meio social, seja para influenciar ou ser influenciado ou ambos os acontecimentos + o modo como ele se comporta em busca de seus objetivos + as regras preestabelecidas no meio onde vive + as relações objetivas que implicam na moldura das formas de expressão, além de influenciarem sua representação de mundo + as teorias sociais gerais, estruturadas ou construídas no dia-a-dia são assuntos pertinentes e que, apesar de serem de difícil fôlego para um único pesquisador dar conta, juntas somam o que há de possibilidades da sociologia quanto à compreensão do meio social, seja ele local ou universal.

É por isso que a sociologia é uma ciência rica e talvez a mais fantástica de todas.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

I Don't Know.

I don't know how tomorrow will be
Don't know who I am today, or until when I will be.
I Just know I am walking in my truth.

I don't know how many times I'll get myself confuse
Don't know say that everything's the same.
I just know what to wish today and today I'll work for it.

I Don't know if the fact of don't know will separate us
Or if it will save us.
I just know I'll love you even if you go.

'Cause you can go, but my feeling no.
I don't know.
But I know.

I don't know about weather
I don't know about speed
But I know time change us all the time.

We're slaves of time.
But we don't have to down or heads for it.
I don't know exactly how,
But we need to react.

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

If it could be ok for you...


I'm walking through the whole night
I'm seeking for my partner's soul
I crossed all the kinds of life
And I'm still wondering where'd you go

If I sing a sad song tonight
Is because I wish you to know
I've missed you all this time
I think I like you so.

That's why I'm back today.

I've got myself looking from the edge
I've got myself aiming against the sun
Trying to train things that has come undone
Just to never be blind again.

Just want to be everything ok for you
To be good for me too.
That's why I am here
Giving a new chance to believe.

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

A brand new way to take me off the pain


Confess that I'm a little bit afraid.
Sometimes things aren't the same
It's part of life living coming and going
'Cause rise and fall are the faces of the same coin

But your eyes hang me out of the pain
They withdraw me from fear
They put me a subtle smile again
And they set me to a brand new way
I feel.

It takes me off the pain
And under the rain
When I see your smile again
It takes me off the pain

Although you couldn't ever understand
I heard you voice telling me everything's ok
I think I've found my faith factory
Yeah, and you've been opened up this gate


'Cause your eyes hang me out of the pain
They withdraw me from the fear
They put me a subtle smile again
And they set me to a brand new way
It's real


It takes me off the pain
And under the rain
When I see your smile again
It takes me off the pain

sábado, 8 de setembro de 2012

Goodbye, my Little One.

Goodbye my Little one, goodbye.
Someday you would really die.
I know, but maybe you not.
Goodbye, my little friend, It was your time
You went to another world, I expect.
For a long time since you've gone, I've wept.
Now I'll never find you again
Never find again.
My comfort is in the forget of our lives
In the forget of the present pain.
But you'll always be here inside me
Until the day I die as you did

Goodbye, my little Sivuca.

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

A Realidade Sartreana e a Minha


Questões árduas (como a do post anterior) a parte, é fato que as sementes sartreanas já começam a germinar - se não ainda pela ciência, mas já pelo pensamento em geral. E aqui é aonde entra minhas reflexões sobre o Filósofo.

Costumo dizer que sou amplamente influenciado por Nietzsche e Sartre. Ainda por não ter lido suas obras por completo, posso dizer que algumas opiniões desses pensadores com as quais tive contato me puseram em estado de reflexão e passei então a submeter cada novo aspecto captado da realidade aos ensinamentos desses dois grandes filósofos. Creio que os tais foram sobras de um pensamento moderno que se confiou demais numa forma de alcançar o conhecimento que se mostrou tão salvadora quanto destruidora da humanidade, e por isso talvez haja alguma "pureza" nesses dois intelectuais que, ainda muito criticados, mostraram caminhos alternativos de ver a realidade, seguindo na direção contrária de uma modernidade ao qual já tentaram enterrar com o sufixo de pós.

Diante disso, ao ler Sartre, vejo quão nova e problemática é a sua proposta. No entanto, vejo também muito de sua validade. E nesse debate, crio meu próprio conceito do que é a realidade.

A primeira coisa que se deve ter em mente é que a realidade é um produto de diversos âmbitos: a realidade social, a realidade da natureza, a realidade da relação homem-natureza, a realidade até metafísica (para não dizer espiritual). Se todas elas forem classificadas enquanto elementos que constitui a Realidade-mor, vai ser mais fácil de compreender. A realidade humana certamente não é a natural. A realidade de um animal não é a realidade do espírito (que é um conceito abstrato, instrumental, do qual não quero me ater para provar existência. Se digo que o espírito se trata de uma realidade, é porque tal categoria deve sua existência pela experiência). Não é da Realidade (enquanto conjunto de realidades) que estamos querendo dar conta aqui, porque cada uma tem sua própria forma de ser produzida, portanto, o conjunto precisaria ser depurado por completo. Aqui, é mais importante tentar compreender a realidade que nos cabe, a saber, a das relações homem-natureza e homem-homem.

A relação homem - natureza: o homem se utiliza da natureza para objetivar suas vontades, construir o que lhe é necessário em termos de uso e de expressão. A realidade de uma cadeira, de um talher, ou uma obra de arte, portanto, são determinadas pela sua ideia em contraste com a objetivação. Nem sempre um produto da natureza pode ser 100% do planejado pelo homem, pois no caminho há fatores limitantes. É por isso que se justifica, por exemplo, as centenas de tentativas de fazer o primeiro avião voar de verdade. Uma ideia só se torna real, portanto, quando objetivada. Ou seja: a realidade da relação homem-natureza não está na sua concepção virtual da memória, mas na sua construção, e a partir de então, das consequências que tal construção pode ocasionar: diversos tipos de cadeira, diversos tipos de talheres, diversos tipos de veículos, todos se adequando agora ao gosto do consumidor. A realidade aqui nada mais é do que um produto mediado entre a percepção da materia prima e sua realização naquilo que se pretendia criar. Em outras palavras, a realidade no âmbito homem - natureza é o construto físico do pensado, o qual, por sua vez, fora de sua realização física, não se pode dizer real.

Algo parecido surge na realidade criada pela relação homem-homem: o real é aquilo que se vê, porque o fenômeno observado é por si justificável. Só que o real na relação homem-homem, a realidade muda a cada experiência adquirida. É como se fosse a teoria antropológica da evolução humana: se temos uma linhagem evolutiva explicada pela ciência, a teoria pode mudar caso encontremos um novo tipo de ancestral a qualquer momento.  E a realidade anterior deixa de existir para dar razão à nova. A realidade aqui, no fim das contas, é uma produção social que envolve tanto a reflexão da mente humana quanto a experiência vivida. Uma opinião sobre qualquer coisa tem tanta realidade quanto outra opinião. A verdade se constrói pela legitimação, dado ou pela comprovação empírica (que pode ser sempre superada por outras comprovações empíricas a qualquer momento) ou pelo convencimento retórico. Nesse caso, a realidade no âmbito da relação homem-homem não é duradoura, é instável, e pode ser atualizada sempre que a minha opinião sobre você mudar ou for cada vez mais corroborada. A experiência de nossos dias dita o que é o real. Se sua mulher lhe trai e você não percebe isso, a sua realidade é que ela é fiel. E se você descobrir que não, uma nova realidade passa a existir. Por isso tudo o que vemos é real, até a ilusão antes de ser descoberta como algo falso. 

Diante disso, conclui-se que existem dois tipos de humanos: aqueles que não se preocupam em apreender o real e aqueles que se preocupam. Apesar de realidade ser o que se vê, há aqueles que não se conformam com a realidade do que já descobriram. E querem sempre descobrir mais, revolucionar-se interiormente a todo momento, atualizando a realidade através de estudos, leituras e reflexões. Este grupo dos inconformados é aonde se insere os formadores de opinião sérios, os filósofos e demais seres influentes de outras cabeças. Portanto, a realidade apresenta degraus, apesar de não haver limites. Ela é o que conhecemos, e isto tem a ver com o saber. Quanto mais se sabe, mais se enxerga o real. Nesse caso é possível que alguns homens tenham mais visão da realidade do que outros, e podem legitimar isso com a prova empírica ou mediante o convencimento pela retórica, mas nunca deverá negar que o ignorante também tem uma realidade, cabendo a este ignorante decidir se ele quer beber um pouco mais de realidade ou ficar na sua própria, por questões sociais e/ou subjetivas.

É isso.

A Realidade Sartreana e a contemporaneidade.

O Existencialismo não é só a moda do século XX. Diante de toda a crise da modernidade instaurada pelos avanços tecnológicos alcançados pela guerra, surge um novo modelo de pensamento desconstrutivo dos demais que é tão forte quanto o efeito Nietzsche quando escrevia no final do século XIX. Assim como o filósofo alemão influenciou todo o século posterior, parece-nos que Sartre plantou no conjunto de décadas dos anos 1900 para colher também no século seguinte. E não sabemos se vai parar. 

Para falar a verdade, freios imediatos já vieram, desde que o Existencialismo Sartreano foi imediatamente classificado como uma forma de pensamento negativo. Ora, em O Existencialismo é um Humanismo, o autor  mostra as acusações e segue argumentando diante de cada pedrada. Sinto, para além dos críticos da corrente filosófica em questão, um gosto na ciência que exclui não só o conceito de realidade de Sartre, mas o existencialismo em si. Também pudera, resgatar a lógica de construção da realidade enquanto um problema de ordem essencialmente fenomenológica ao passo que reduz o cartesianismo - um dos grandes ingredientes científicos da moderna cultura ocidental - é praticamente negar o que a ciência busca desenvolver: uma construção sobre o que é real para todos, ou seja, uma construção de conhecimento que seja oficial, legítimo, universal. A desconstrução da realidade pela corrente Sartreana, bem como a proposta de Nietzsche, parece muito bem ofensiva em relação aos tais cânones defendidos pela ciência, classificando-a tão somente a uma opção de tratamento do conhecimento tão válido quanto religiões. 

É certo dizer que essas formas de pensamento da filosofia podem influir muito na construção posterior do processo de construção de conhecimento mediado pela ciência - vemos isso ao sentir as influências de Weber em relação a Nietzsche, e Durkheim em relação a Comte e a outros. Diante disso, é possível percebermos agora um encaixe da filosofia Sartreana no processo de construção científica de nosso século?

Se o ser de um existente, tal qual nos prega Sartre, seria precisamente aquilo que parece e não existiria nenhuma verdade fora do fenômeno, o quão dessa teoria poderia criar novas comunidades científicas, ou ao menos novas teorias nos campos da ciência, sobretudo as sociais? Pergunta difícil de responder, porque estamos no centro do furacão. Daqui a algumas décadas, talvez, poderemos captar o que é que tem havido de Sartreano na ciência - se é que tem havido algo.

sábado, 11 de agosto de 2012

Apenas Sentir.



A realidade dói toda vez que eu sonho com você.
E mesmo que eu não queira sonhar,
Mesmo que eu não queira sofrer,
Não adianta.
Porque os sonhos ferram a gente?
Porque eles simplesmente não mostram a verdade?
Ou mesmo pequenas mentiras, das quais é possível esquecer.
Porque eles produzem exatamente mentiras sinceras?
A sina dos apaixonados é sempre sentir.
Seja isso sofrer ou amar.

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Essa gente esquisita...

Vai embora de vez e não me pergunte mais se está tudo bem
Um dia você verá pelo meu olhar o quanto o céu serviu-me de paz
Enquanto você ia embora no horizonte daquela imensidão
Acho que você errou ao pensar que eu ainda iria te querer.

Eu realmente me sinto bem fazendo acontecer a minha própria vida
E de repente dá um medo dessa gente esquisita
Eu não quero sair do quarto mais não
Até que eu me certifique de que não há nada que me faça parar.

Quem sabe o esquisito sou eu
Em não me conformar com sofrimentos.
Em manter no pensamento
Aquilo que sempre traz você aqui.

domingo, 5 de agosto de 2012

So are you



Filmes franceses
Paixões forjadas
Estilos de vida copiados
Originalidade muito bem maquiada
Versões de uma vida boêmia fraca
Verdades necessárias sempre proteladas
Sensações suspensas ao substituir o que se é pelo que deveria ser
Mentiras que se confundem com verdade e se tornam fatos mesmo sem querer
É sempre assim
Todos querendo, mas ninguém fazendo
E depois se perdem na solidão por não terem plantado nada no chão frio da razão.
Viver só de paixão pode ser um lado da moeda que não tem valor, my friend.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

2 anos da grande Enchente: memórias.



Há exatos 2 ano Murici fez parte do grupo de cidades mais atingidas em Alagoas e hoje ainda é possível perceber os destroços desse 18 de junho sombrio. Aqui vai um relato desse dia.

Desde alguns dias antes, lembro que algumas pessoas já acreditavam que haveria uma enchente na cidade, o que fez acionar caminhões e carroças levando bens para a parte alta de Murici. Até então, se tratava de uma "rotina", uma vez que de 2 em 2 ou 3 em 3 anos as chuvas provocam o transbordar do Rio Mundaú em alguns metros. Como essas enchentes quase regulares chegavam sempre até um determinado ponto (seja no Bar da Noite ou no máximo até a padaria do Bia), parecia sempre subentendido os locais aonde as águas afetariam ou não a cidade. Pois bem. De uma certeza tínhamos: alguma enchente haveria de ocorrer nos próximos dias, já que o noticiário informava uma forte chuva em Pernambuco.

Na noite do dia 18, eu voltava da Universidade quando vi Murici às escuras. Na cidade já faltava energia desde cedo. Muitas notícias de que a enchente iria ocorrer de certeza naquela noite fez eu e vários estudantes irem até a beira do Mundaú constatar o seu nível. Lá, fomos advertidos a sairmos imediatamente do local sob o risco de sermos atingidos por uma leva de água descontrolada. Parecia muita ficção, mas voltamos para a parte de cima da cidade. Na volta, percebemos que a água nas ruas estava aumentando aos poucos. Aí cheguei em casa. E menos de uma hora depois, por volta da meia-noite, a rua parecia caótica. Carros passando em velocidade com alguns equipamentos, as pessoas saindo de suas casas. A cacofonia não deixava claro do que estavam falando. Somente quando coloquei os pés na calçada é que percebi que a água já estava vindo na nossa esquina (moro na rua da prefeitura). A partir desse momento, corremos para suspender os bens de casa. Colocamos tudo em cima de mesas, e não deu tempo de levar conosco nada além da roupa do corpo.

Fiquei desabrigado a partir dali. Por sorte a água só atingiu metade do nível da casa, mas foi suficiente pra ter estragado tudo o que era de madeira. Fora de casa durante toda a madrugada, vi logo depois do amanhecer o desespero de muitas pessoas que perderam tudo. A água ainda demorou a baixar. Parecia um ensaio de apocalipse. Caótico, irracional. Nos dias seguintes, em casa de parentes que não foram atingidos, acompanhei o salvamento de sobreviventes ilhados por helicópteros do corpo de bombeiros. Um trabalho heróico. O som frenético dos helicópteros pousando e partindo do Estádio Municipal nos faziam lembrar de outras catástrofes naturais, como os terremotos haitianos.



Demorou muito tempo até que a situação se normalizasse. Só meses depois da limpeza nas casas e nas ruas é que pude visitar os locais mais atingidos, e constatar que algumas ruas já não existiam, nem sossego, nem o fim da perplexidade de todos. Aos poucos viam-se alguns sorrisos: pessoas que se reencontravam, que salvavam uma ou outra coisa de suas casas caídas. A história mais marcante pra mim foi a da rua da Floresta, quando uma cadela salvou um senhor cadeirante levando-o para um local sem alagamento. Até então não se tinha mais notícias do animal, que foi encontrado depois que a familia voltou para o local aonde antes era casa e depois apenas escombros - ele estava lá, vivo, em algum local que restava da casa, esperando por seus donos. Foi emocionante ter presenciado o reencontro. Sinal da resistência e fé para o povo de Murici que tanto sofrera, mas que estava prestes a recomeçar a vida.



Dados dos desastres em Alagoas e Pernambuco

Atualizado em 12/07/2010 - às 17h22
Região / UF
Nº de
municípios
afetados
Óbitos
Desaparecidos
Desabrigados
Desalojados


AL
28
26
69
26.618
47.897

PE
67
20
0
26.966
55.643

TOTAL
95
46
69
53.584
103.540



Região / UF
População Afetada
*SE
*ECP
Pontes
Estradas
Casas
Destruídas /
Danificadas


AL
181.018
4
15
0
666
18.715

PE
156.727
27
12
142
4.478
14.136

TOTAL
337.745
31
27
142
5.144
32.851



Ações da Sedec
Região / UF
Cesta de Alimentos
Kit´s de Abrigamento
Rolos de Lona Plástica
Recursos Financeiros (em milhares R$)
AL
31.000
6.394
67
275.000
PE
52.000
6.395
66
275.000
TOTAL
83.000


12.789


133


550.000


*SE - Situação de Emergência
*ECP - Estado de Calamidade Pública 

MATERIAIS DE AJUDA HUMANITÁRIA
Kit de Abrigamento: Colchão, Cobertor , Toalha de banho, Lençol de cama, Travesseiro , Fronha e Rolos de Lona (4 x100, 6 x 100, 8 x100 metros)
 

CESTAS DE ALIMENTOS 
Açucar - 2kg, Leite em pó - 1 kg, Farinha de Mandioca - 2 kg, Macarrão - 1 kg, Feijão - 3 kg, Óleo - 2 litros, Arroz - 10 kgs ,1 Kg - Floco de Milho = Total de 23 kg. A Cesta de Alimentos atende 5 pessoas por 15 dias.
 
12/07/2010
(Adaptado por Claudionor Gomes).
Em Alagoas foram destruídas ou danificadas 18.715 casas, além de 666 quilômetros de estradas. Em Pernambuco, foram 4.478 quilômetros de estradas danificados, 142 pontes destruídas e 14.136 casas destruídas ou danificadas.
Em Alagoas, a situação foi essa: 26.618 mil desabrigados 47.897 mil desalojados e 26 óbitos; em Pernambuco: 26.966 mil desabrigados 55.643 mil desalojados, e 20 óbitos.
No Estado de Alagoas, quatro municípios decretaram situação de emergência, e 15, estado de calamidade pública. No Estado de Pernambuco, 27 decretaram situação de emergência e 12 estão em estado de calamidade pública. 
Os 19 municípios que decretaram situação de emergência ou calamidade pública em Alagoas são: São Luiz do Quitunde, Matriz do Camaragibe, Jundiá, Ibateguara, Quebrangulo, Santana do Mundaú, Joaquim Gomes, São José da Laje, União dos Palmares, Branquinha, Paulo Jacinto, Murici, Rio Largo, Viçosa, Atalaia, Cajueiro, Capela, Jacuípe e Satuba.
Em Pernambuco foram 39 municípios: Agrestina, Água Preta, Altinho, Amaraji, Barra de Guabiraba, Barreiros, Belém de Maria, Bezerros, Bom Conselho, Bonito, Cabo de Santo Agostinho, Camaragibe, Catende, Chã Grande, Correntes, Cortês, Escada, Gameleira, Gravatá, Ipojuca, Jaboatão dos Guararapes, Jaqueira, Joaquim Nabuco, Maraial, Moreno, Nazaré da Mata, Palmares, Palmeirinha, Pombos, Primavera, Quipadá, Ribeirão, São Benedito do Sul, São Joaquim do Monte, Sirinhaém, Tamandaré, Vicência, Vitória de Santo Antão e Xexéu.

Fontes: Ministério da Integração Nacional. Link:  http://www.mi.gov.br/comunicacao/noticias/noticia.asp?id=5111

sábado, 16 de junho de 2012

Perca-se para não ter tempo a perder



Dê bom dia pra alguém
E tome consciência de nosso ritmo
Que a vida tem seu próprio algoritmo
E não enxerga quem não se sente ninguém

Você já se perguntou
Pra onde vai com essa mania
De viver a vida como qualquer dia?
Vidas vazias começam assim, meu bem

Perca-se um pouco de tudo
Perca, se perca
Pra não ter que ter tempo a perder

Perca-se num abraço demorado
Num sorriso apaixonado
Ou num adeus de quem gosta de você.

Mas não se perca no incerto
Pois um erro menor que o metro
É capaz de te desfazer

E não aceite o inferno
Que te impõem, por certo
Você vai aprendendo a viver.

quarta-feira, 13 de junho de 2012

As 4 nobres verdades do budismo




1. A dor é um sentimento universal.
2. A causa da dor está nos nossos desejos, pois desejamos sempre com um fim egoísta e isso acaba produzindo maior sofrimento. 
3. A solução estaria na supressão da dor por meio da eliminação de seu desejo a partir de uma transformação dos pontos de vista que regem o viver, por meio de compreender, atuar e meditar.
4. O nobre caminho óctuplo - as oito partes para acabar com o sofrimento: palavra correta (falar a verdade, sem prejudicar ninguém); a atividade correta (atuar sem prejudicar ninguém e buscar o domínio das paixões); Modo de vida correto (uma profissão que não prejudique ninguém); Opinião correta e Pensamento correto (compreender com sabedoria, que se adquire com meditação); Esforço correto, atenção correta e concentração correta (atividades mentais de cunho metodológico para a veradicidade da meditação).

terça-feira, 12 de junho de 2012

Mais uma morte.

Naquela manhã fria, ninguém saiu da porta do apartamento cinco. O único barulho que se podia distinguir era o do crepitar da lareira, suplicando para consumir os últimos resquícios de madeira já decompostas em carvão. A ausência da regularidade das atividades do homem fez os vizinhos estranharem aos poucos o porquê daquele dia diferente. Primeiro não se importaram; aquele homem não se importava com eles mesmo. Um dia depois, alguém comentou que o seu jornal não havia sido pego desde ontem e permanecia portanto ali na porta. Dois dias depois, uma criança perguntou à sua mãe aonde estava aquele senhor que não lhes dava bom dia. Mas as coisas só ficaram realmente preocupantes quando deram 4 dias e alguém lhes disse ter certeza de que aquele homem estava lá dentro, afinal não havia deixado a sua chave do apartamento na recepção. Foi quando decidiram chamar a guarda municipal. Algumas horas depois devido ao mau tempo, uma viatura chega para averiguação. Bateram à porta tentando obter alguma resposta. Sem sucesso. Chamaram o homem pelo seu nome, mas nenhum retorno. Decidiram olhar pela janela. Subiram um guindaste, e por entre as árvores era possível ver somente um gato. Chamaram mais uma vez. Apenas o gato reagiu, fugindo. Decidiram que era necessário realmente arrombar a porta, e assim o fizeram. Depois que a fumaça da pesada madeira ter sido jogada contra um chão empoeirado, veio a surpresa: o homem estava lá, sentado em sua poltrona como se estivesse dormindo. Aproximaram-se dele, mas o mau cheiro já denunciava se tratar ali de uma alma que abandonou um corpo. O homem estava já sem cores e gelado. No bolso do peito de seu sobretudo, uma carta amassada. "Amo você", havia escrito. Parecia ser suicídio. O corpo foi retirado com cuidado e envolto em plástico preto especial para remoção de cadáveres em estado de decomposição. Todo o prédio ficou chocado. Há quem dissesse que não achava surpresa que um suicídio viesse de alguém tão estranho. O corpo foi levado para necrópsia e o quarto varrido pela perícia. Algumas caixas de charuto pelo chão, mas era improvável que o tabaco fizesse aquilo. Muito depois foi descoberta sua pneumonia, mas ela ainda estava em estado inicial. A maior suspeita é de que ele havia tomado alguns comprimidos de um forte calmante, conforme as caixas no lixo denunciavam. "Talvez uma overdose letal do sonífero tarja preta", era escrito no relatório da perícia. Livros intocáveis e plastificados em sua grande biblioteca; os pratos estavam no escorredor. Tudo muito limpo, não fosse a natural sujeira de poeira que a cada dia obriga às atividades cotidianas as donas de casa. Tentou-se levantar alguma informação nos arredores do local, mas ninguém sabia de nada. Apenas impressões sombrias sobre o homem foram levantadas pelo senso comum local. "Será que ele praticava magia negra?" Se perguntava um pastor do andar de cima. Logo famílias, com medo de alguma maldição, se mudavam daquele prédio. A dúvida em torno do caso começou a ser dissolvida com o relatório do psiquiatra que o visitara alguns dias antes. Mas o fato esclarecedor foi sem dúvida a carta de resposta de uma jovem senhora, já a uma semana depois do incidente.  Caso concluído.

O casulo em volta do silêncio

O destino vai tomando forma. Vão se perdendo algumas coisas, e os espaços ficam até que o tempo trate de preenchê-los de algo bom. Aos poucos, cada remendo vai sendo costurado. Tem de ser assim. E por fim, cada palavra começará a substituir um silêncio que se fez no casulo a partir de então.

domingo, 10 de junho de 2012

Para compreender a genealogia do sofrimento



Você já se perguntou sobre qual a origem do seu sofrimento quando você está sofrendo? Eu já. E tenho uma teoria. Na verdade, é preciso ser explicada como uma parábola. Toda situação propensa a nos causar alegria ou felicidade tem um objetivo. Simplesmente o sentir por sentir não faz sentido, é preciso sentirmos por conta de alguma coisa. Então pense que há 3 etapas em uma dada situação. O início, aonde decidimos se vamos ou não aceitar o caminho da situação para chegarmos a um objetivo, o meio, aonde se dá a trajetória entre nossa decisão inicial e o objetivo, e o final, aonde encontra-se o objetivo propriamente dito.

Pense num túnel aonde só cabe você. Esse túnel pode ter distâncias variadas, pois isso vai depender do caminho que você precisa percorrer para alcançar o objetivo. Mas você ainda se encontra no início da situação. Está se perguntando se a aceita ou não, refletindo, usando o coração também. Nesse momento, o início, você sabe que tem um túnel que deve percorrer, mas não faz ideia do tamanho dele. E os motivos que te fazem decidir se você aceita ou não o desafio estão sempre no objetivo. Portanto, o objetivo determina o esforço e é sua escolha, fazendo um balanço entre a importância do objetivo na sua vida, considerando razões e/ou emoções, que vai definir se você vai passar por essa provação ou não.

E então você decide entrar no túnel. Isso significa que você aceitou a situação e está disposto a encará-la para chegar ao objetivo desejado. E então você se encontra já na segunda etapa de nossa parábola. O caminho para o objetivo não é limpo, ou seja, você não segue confortavelmente, sem obstáculos. Além desses obstáculos, há sempre vestígios, ou "musgos" do túnel, que possuem a potencialidade de inflar os sentimentos sobre o objetivo. Esses sentimentos não possuem uma direção pre-estabelecida. Mas muitas vezes eles nos trazem dúvidas, porque estamos dentro do túnel nos esforçando tanto e a luz do final dele ainda não apareceu. Se passarmos a nos sentir inseguros sobre nosso alcance desse objetivo, esses musgos vão tocando a gente cada vez mais e inflando nosso sentimento. Apesar de não serem decisivos, esses musgos/vestígios do caminho têm função de reforçar em algum grau o que estamos pensando, seja a convicção de que esta luz do objetivo vem ou se não vamos conseguir. E nessa jornada, passamos a ter pensamentos que se distorcem da realidade, porque simplesmente estamos sozinhos no escuro apenas dependendo de crenças. É aí que as súplicas à intervenção sobrenatural costumam ser apropriadas por religiosos. O sofrimento parece vir dessa dúvida, nesse momento sombrio, sobre o alcance ou não desse objetivo. Mas ele não é o maior de todos. Descobrimos que o tamanho de nosso sofrimento vem antes do túnel.

Quanto mais fundamental for o objetivo para nós (nós decidimos isso ainda na etapa inicial, antes de entrar no túnel, quando estávamos pensando o quanto esse objetivo é importante para nós), de grande valor será a recompensa quando o alcançarmos, por um lado, mas também será a nossa maior fonte de tristeza quando não o conquistamos, por outro. Perplexidade e fé, medo e coragem se digladiam no túnel para lidar com o sofrimento, que foi plantado ainda antes de entrarmos nele.

O que vai fazer com que aguentemos ou não essa jornada será a nossa subjetividade. A salvação para o sofrimento, plantado desde o início pelo nosso desejo do objetivo e acrescido pelos musgos está em vários lugares. Sobressaem como os mais comuns as instituições sociais específicas como religiões ou locais de cura mediados pela ciência. Mas existem outras maneiras, também, que são procuradas por quem não frequenta esses espaços: nesse caso a maneira de lidar com o sofrimento está entre amigos, livros, músicas, meditação, ou mesmo dentro de si mesmo. Para aquele que quer curar-se dependendo somente de si, no entanto, é preciso antes estar com a mente preparada. 

O sucesso para alcançar o objetivo, e consequentemente para superar o sofrimento que vem caso de descobrimos que estamos proibidos dele, deve estar no modo como estamos lidando com ele mesmo. Está na relevância desse objetivo para as nossas vidas. Uma vez percebendo isso, cabe a nós encontrarmos algum lugar que nos salve quando deixamos, por um motivo ou outro, que esse objetivo seja nossa razão de viver. Só resistindo e sobrevivendo, com todas as perplexidades e medos que os musgos do túnel acrescem sobre nós durante a jornada, é que teremos alguma chance de vermos a luz que tanto queremos encontrar. A luz do objetivo. A luz de nossa satisfação na situação inserida.

Esse samba que eu não queria que fosse o meu.

Esse samba, esse samba não é feito à revelia
Nem pensado em qualquer dia
Nem cantado pra multidão

E como toda canção, ele implora poesia
Como toda verdade, a boemia
Que é fundamental ao coração

Ah eu queria, sim eu queria a tua alegria
Pra firmar toda essa sina
Sem ter medo da paixão

Mas não há, não há um só único dia
Em que eu não pense na minha vida
Como um caso de solidão

Mas não me diga,
Não me diga que você não tem
Alguém pra te amar, meu bem
Meu bem...
Não me deixe triste assim
Ao se deixar esquecer
Que o que eu faço pra você
Não faria pra mais ninguém.
Mas não me diga,
Não me diga que não tem
Alguém que agradece a Deus por você
Existir, enfim
Não me deixe triste assim
Quando estiver deixada à própria sorte
Pensando desesperada na morte
Esse seria também o meu fim.

Essa vida, essa vida é mesmo danada
Apronta com a gente por quase nada
E tá montado o furacão.

E você, quem diria que você um dia
Fosse marcar tanto a minha vida
A ponto de ser meu estrago ou solução.

E eu insisto, eu insisto apaixonado
Querendo você do meu lado
Pra suportar qualquer tensão


Mas não há, não há um só único dia
Em que eu não pense na minha vida
Como um caso de solidão.



terça-feira, 5 de junho de 2012

Tudo calmo demais, até que algo corta o sol no céu da comunidade...

domingo, 3 de junho de 2012

Risks and Failures

Riscos e fracassos
Sempre estiveram aqui
Sempre me acompanharam
E eu tento descobrir
Riscos e fracassos
Sempre me avisaram
O coração fica amargurado
Depois que não pode sorrir
Um dia eu, outro dia você
Sempre vai ser assim
A dança de querer sem querer
não é tocada por quem não quer querendo.
Drummond sempre alertava
O que eu não queria sentir.
Mas dane-se os medos
Eu não aprendi a desistir
Se eu não aprendi a salvar meu coração
Não vai ser agora que eu vou deixar partir
Mais essa chance de ser feliz
Ou de ser nada mais uma vez.
Eu não estou pronto
Eu nunca estive
Eu só vou descobrir
Quando o destino se abrir pra mim.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Afinal, porque a geração anos 90 anda tão down?




Algo que tem me chamado atenção ultimamente é o fato de a temática da morte ser tão difundida na boca de jovens. Trajados de frustrações de diversas naturezas, logo parecem se render a situações extremas. Sem desconsiderar que cada caso de frustração tem sua própria razão (psicológica, social, fenomenológica), também percebemos que esse discurso não é raro para uma parcela da juventude que faz parte de uma certa faixa etária e também de uma determinada classe social. Pelo menos é o que tem aparecido para mim enquanto  uma rápida reflexão diante dos contatos que tive nos últimos tempos com pessoas com crises existenciais. A grande dúvida, no entanto, é: isso faz parte somente das últimas gerações ou é por que estamos numa sociedade confessional estruturada na internet que essas frustrações passam a ser mais conhecidas? Não se sabe ao certo, mas é possível encontrar alguns fragmentos desse quebra-cabeça.

Antes, costumávamos compartilhar frustrações com as pessoas mais próximas: alguns poucos amigos, familiares, cônjuges. Hoje, com o avanço tecnológico em favor de novas formas de sociabilidade, os laços sociais se ampliam e adquirem novas nuances, e isso permite uma conversação padronizada (por meio do texto e do vídeo) para todos, amigos de sempre ou recém-conhecidos. Também surgem novas relações sociais, e o prazer da conversação que surge como um dos valores dessas estruturas que são os sites de rede social tornam as pessoas muito mais propensas a conversar coisas sobre diversos temas, incluindo suas próprias frustrações. É nesse contexto que novas pessoas vêm até nós e passamos a conhecer suas vidas a partir do momento que elas se permitem a compartilhar a própria percepção da vida conosco. Além disso, os blogs, apesar de possuir menos movimentação no compartilhamento de anseios comparado às mídias sociais, são estruturas que funcionam como o diário do século XXI. Essas são características básicas da sociedade confessional.

A tecnologia que orienta as mídias sociais também tem promovido outros valores, como o narcisismo. Mídias sociais como o Facebook ou Twitter, aonde você costuma ser o que você escreve e você só existe no espaço virtual para seus amigos enquanto estiver produzindo conteúdo (na maioria das vezes textual), são exemplos emblemáticos. Assim, qualquer coisa que postemos é considerado um conteúdo a ser lido pelos que fazem parte da nossa rede social na internet. E quando não há muito a oferecermos à rede, acabamos compartilhamos coisas do cotidiano que beiram a futilidade. A partir dessa nossa autopermissividade, também surge uma crença de que o nosso cotidiano possa interessar a quem nos segue - ou pelo menos não estamos nos importando com o que os outros vão ler quando postarmos coisas sem informações relevantes. Mas acredito que uma pessoa que cria um perfil de Twitter que tem 0 seguidores não iria para o site querer compartilhar suas frustrações. Nos é preciso um público que consuma o que estamos produzindo, mesmo que não escrevamos nada de relevante. Assim, saber que tem alguém que pode nos ler diante de qualquer tweetada ou atualização de status no facebook nos torna narcisistas a ponto de acharmos que nossas atualizações têm algum valor por parte daquele que lê, como se o simples fato de os outros nos lerem fosse já um prêmio conquistado. Assim, compartilhar nossas piadas internas, sentimentos e qualquer outra coisa se torna importante para nós porque achamos que alguém se importaria com isso. Expressões de narcisismo.

Esses são apenas alguns elementos de como a geração atual possui ferramentas para produzir seu discurso extremos com relação à vida. Mas isso ainda não determina que só estas gerações tenham carregado consigo essas temáticas existenciais. Talvez precisamos lembrar de algum movimento de insatisfação anterior para indicar que houveram outros meios de compartilhamento da frustração. E encontramos isso no Existencialismo e nas expressões artísticas do Século XX (o expressionismo, cubismo, dadaísmo como formas de expressão de mal-estar da sociedade durante as guerras mundiais). Ainda que não houvesse com quem ter um feedback conversacional com qualquer pessoa do mundo, as insatisfações eram compartilhadas numa obra de arte, num livro ficcional ou nos bares boêmios. Falando em boemia, não podemos esquecer todo o mal-estar que acompanhou a juventude adepta do Romantismo do mal-do-século do século XIX, devotos de Lord Byron, Goethe etc. 

Por esses exemplos, sinceramente não acho que a geração suicida seja a dos anos 90, ainda que com todo o movimento grunge  e o pós-punk tenham disseminado a negatividade e o punk, a anarquia que deixaria Émile Durkheim amedrontado, tenham conquistado fãs ao redor do mundo e semeado esses sentimentos de niilismo. Mas não devemos ignorar que, assim como era específica cada época que envolveu as insatisfações de seus jovens e suas expressividades a favor do suicídio, a geração anos 90 também tenha suas insatisfações. A especificidade desta época atual é que podemos, pela primeira vez, ver uma geração com voz, e isso faz com que descubramos algumas coisas. Abaixo estão listados alguns pontos construídos em torno da minha relação com pessoas que carregam o discurso niilista:

1. É muito comum esse sentimento negativo da existência, 
2. Costumamos praticar esse sentimento por frustrações relativamente comuns, como crises de identidade, crises amorosas ou de relacionamento com o mundo.
3. A faixa etária desse tipo de niilismo está entre os 15 e 25 anos (essa faixa etária pode mudar, baseei-me por considerar que seja a época em que a juventude amadurece e ainda está fora do mercado de trabalho, ocupando-se de pensar e praticar outras coisas que não a preocupação com o trabalho, que se tornaria mais comum depois dos 25 por inúmeros motivos, entre eles a necessidade de construção familiar).
4. É possível que as regalias que a juventude tem hoje faça com que elas tenham se preparado menos para lidar com a vida se comparado a seus pais, e isso se deve muitas vezes à criação. Para compreender melhor  esse fenômeno de produção de novos niilistas, a jornalista Eliane Brum criou esse texto fantástico: http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI247981-15230,00.html 

Se ao menos eles dessem tempo ao tempo...

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Fazer quem mais você ama te odiar é suplicar a Deus para ter uma nova vida, porque essa está toda errada.

terça-feira, 22 de maio de 2012

All in tears


Take a look at me.
And throw me away soonly.
It is not that you got a hate
It is 'cause I made you just to hate.
I can explode sometimes
And don't know where the fragments are going to
But all I know is that hurt so much more in me than anybody else.
But there's no way back for me.
And I'm so sorry for have hurt along the life.
No one likes, but this is the only way.
I'll never bother nobody else.
Just to never make happen to hurt you again.
Now I understand why I have to be alone.
A monster is what I really am, not an ideal human that I ever tried to be.
I'm all in tears
Forever in apologies
What I've got is nothing.
I've lost my friends
Lost my family
Lost everything
Lost you.




segunda-feira, 21 de maio de 2012

Em busca de proteção

Hoje eu acordei querendo estar protegido. Se não existe no meu espaço social essa possibilidade, eu tenho que alavancá-la dentro de mim mesmo ou com minhas ferramentas que sempre me acompanharão. Elas não vão embora, elas são fiéis.

Toda relação social está fadada ao desgaste. O modo como vamos lidar com isso é o que vai decidir a durabilidade dela. Estruturar os próprios valores somente nas pessoas requer que nos reinventemos sempre durante o tempo que existirmos - pois a satisfação de "interconsumo" será sempre insaciável -, e isso corrói a nós mesmos por dentro quando não queremos ou não temos mais nada a oferecer a ninguém.

Sorrir com o sorriso dos outros é um demasiado perigo humano por nos fazer crer nessa interdependência. É preciso haver um pouco mais de elevação de convicções dentro de si mesmo para suportar um adeus de quem a gente "ama".

Ame a si mesmo antes de qualquer um. Definitivamente, é cada um por si. Não há razão real para fazer dos outros nossa fonte de felicidade, rancor, tristeza, culpa. Pessoas agem organicamente, física e sentimentalmente todas elas acabam algum dia e isso tem um peso negativo de volta pra nós. A única coisa que podemos fazer é reduzir esse impacto negativo.

Hoje eu acordei querendo fazer meu castelo sem o auxílio de ninguém. Sou só eu e os meus livros. Eles serão minha fortaleza, ainda que eu caia algumas vezes pela paixão. Meus livros são frios, objetivos, sinceros, e o melhor de tudo: eles não mudam de humor nunca. Posso confiar nessa proteção.

domingo, 20 de maio de 2012

Mor

Ela me olha com ar de repugnância.
Em seu rosto o sorriso se foi como uma chance perdida.
Ela me tem nas mãos, eu estou preso à ela por um cordão umbilical eterno
Ela só quer que eu sirva pra qualquer coisa
E nada mais.

Ela me nega constantemente
Ela não me lê, não me ouve, não me vê nem me sente
Ela diz que o mundo é o que ela acreditar e que eu finjo
E nada mais.

Ela me crucifica com sinceridade
Não há maldade em seu coração
Eu não posso culpá-la não de pensar como eu
Eu não posso culpá-la de desejar que eu seja normal.

Eu não consigo ser. E me odeio por isso.
Me odeio por eu não ser do jeito que você quer que eu seja.
Me odeio pelo sorriso que eu não posso te dar. Não sou calmo, mas sou sincero.


Não consigo nos trazer felicidade.
Tudo o que ela esperava de mim na verdade se tornou uma surpresa ruim
Eu não caibo no seu conceito.
Eu preciso mesmo de um tempo só pra mim, por favor não confunda com individualismo.

Entenda, eu amo. E por amar eu tento traçar um caminho diferente.
É por amar que eu não decidi ser só mais do mesmo.
É por amar que eu estou em volta de livros, violões, silêncio.
É por amar que eu não quero mais ficar aqui.

Que ela fique com sua família, eu sou mesmo um deserdado isolado.
É que eu nunca vou me adequar aos padrões dela.
E no dia que eu fizer isso, eu já não terei mais razões para existir.