domingo, 30 de outubro de 2011

Apenas um objetivo

O quanto de vida não se ganha quando se há um objetivo na vida, hein?
Apenas um que seja, pra te fazer sair da inerte solidão para encontrar um sentido na vida?!
Às vezes precisamos de coisas tão simples pra superar os nossos piores males que não nos damos conta, e por isso nem chegamos a procurar.
No fim das contas, quando descobrimos, é como se lembrássemos os motivos de nossa existência.

Que bom ter o que sonhar! Que bom ter com quem sonhar!

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Sobre o tempo que nos carrega

Dentre as centenas de coisas que me incomodam em entendê-las, uma em específico talvez esteja diante de nós como a mais importante: em algum certo grau de movimento de vida humana, somos adaptados a certas situações que se colocam sobre nós e passamos a conviver com elas ao passo que deixamos de lado outros hábitos.

Pensem a vida globalizada: o ideal de que o mundo passa a ser de fato um só, as culturas devem ser integradas ou misturadas, a racionalização unidirecionada, a cacofonia compreendida, o prazer das relações, doses de protestos globais, amores distantes, emoções compartilhadas em vídeos, músicas, palavras. Onde consumistas e produtores se misturam, onde artístas e cidadãos comuns são cada vez mais um só. Onde as religiões são redescobertas, ao passo que, em nome da vida na alteridade, ser laico, flexível e diverso é preciso.

Nesses redimensionamentos do pensar humano, frutos de desenvolvimentos de perspectivas sociais, políticas e econômicas historicamente delimitadas, como ficam as relações do passado? O debate em torno do Moderno e do Posmoderno é ainda tão forte quanto de seu surgimento, não tanto pela teoria, mas agora pela prática. Se Lyotard ou outros pensadores "apressadinhos" correram para nos alertar o surgimento de uma nova era, parece que estamos sentindo-na na pele agora, de tal forma que perdemos a certeza em se tratando de época histórica. 

Afinal, você está num mundo moderno ou posmoderno?

Para entender e aguçar a discussão, é preciso delimitar bem as duas coisas. Gerará trabalho (e não é objetivo desse post) pois é impossível dar conta da ideia da modernidade em sua totalidade, ao passo que não sabemos, por outro lado, as dimensões práticas da posmodernidade. O que sobra a nós, pensadores dessa situação, é pisarmos num chão ora de uma época, ora de outra.

Muitos dizem que a modernidade tem a ver essencialmente com o capitalismo, e por isso que enquanto não houver sua superação, nada de novo surge. Outros dizem que há por trás disso outros fatores como o tipo de racionalização de um determinado movimento ideológico, ou produções de hábitos e manutenções de relações de poder que ajudariam a delimitar uma tal era na História.

Também por não saber ao certo, apenas faço apontamentos que estão ficando cada vez mais óbvios. Existem características específicas de movimentos sociais inéditos, com valores e objetivos inéditos ao passo que são globais. As formas de comunicação também estão, pela primeira vez, generalizadas em quase todas as partes do mundo, o que faz crer que sua completude se dará ao passo que determinados regimes políticos modernos caiam. A democracia está sendo discutida aos poucos em um nível global. A propósito, a ideia de Nação está se enfraquecendo em seu aspecto político. Organizações internacionais pautam algumas coisas que outrora poderiam ser simplesmente decidido nacionalmente (a questão das devastações, poluições e etc.) Surgem uma perspectiva em favor do diverso, o debate em torno dos direitos de homossexuais é forte e caminha para uma justiça ampliada e conferência de direitos a todas as formas de vida.

O que me instiga, mais que isso, no entanto, é o que está ficando para trás. Não há, tanto na física quanto na vida social, como misturar hábitos (a não ser que seja um esforço de isolamento em relação a outras sociedades, como as cidades do interior que mantém relações e mentalidade tanto feudais quanto capitalistas) pertencentes a outras épocas. Relações feudais e imperiais tiveram uma derrocada exterminante diante do surgimento do Estado de Direito junto aos valores burgueses do direito do cidadão e da democracia; mais que isso, as relações de troca de favor foram substituídas substancialmente pelo trabalho assalariado. Novas demandas, produções ideológicas, tipos de organização social e aspectos mais específicos da vida humana foram modificados para estarem de acordo com o processo de racionalização da Idade Moderna. E hoje, será que as novas transformações tecnológicas, de comunicação, na economia, não estão se direcionando novamente a superar as estruturas sociais da Idade Moderna? Ou será que essa nova organização, a nível global, continua a fazer parte ainda da Idade Moderna? Para lidar compreender isso, é preciso ver se há algo de moderno que está sendo derrubado pelo tal do "posmoderno". E é aí que entram novas discussões. O casamento, tal como vemos hoje e como nossos pais se uniram, é parte integrante de qual época? E os Estados Nacionais que parecem hoje enfraquecidos? E o ideal de Liberalismo? E as relações entre mão-de-obra e patrão? E as diferenças entre produtor e consumidor? Se eles estiverem em risco, como eu suponho, então já não estaríamos rompendo com a era da modernidade?

Anthony Giddens diz, em "As Consequências da Modernidade", que apesar de estarmos numa época de pós-modernidade, não temos outra referência a nos agarrar senão a modernidade, e por isso continuamos modernos. Pelo menos nossa geração. Por isso que eu nem penso o agora, mas penso o que pode vir depois, considerando que o que estamos presenciando agora é totalmente irreversível.

É por isso que eu digo que a posmodernidade (conceito este ainda digno de novas reflexões de acordo com as experiências empíricas que estamos vivendo) é uma questão de tempo. Uma questão de algumas gerações, talvez uns 50 ou 100 anos. Daqui pra lá, aposto que teremos novos motivos para a reorganização estrutural da(s) sociedade(s), como riscos de extinção humana mediante a guerra, as crises de alteridade e de intolerância etc.

Em uma reflexão micro, é chegada a hora de vermos casamentos religiosos serem ao menos vistos como uma tradição não tão levada a sério, dado o alto grau de separações (o "até que a morte os separe" se tornou um clichê que não se adapta mais às relações conjugais de hoje em dia. Difícil é o casal que passa a vida inteira juntos). As constituições familiares, mais racionalizadas, reduzem ou aumentam o número de filhos de acordo com os pés no chão. O progresso é criticado, mas a velocidade da crítica é tanta que já não se torna mais crítica, nem o progresso já não se torna mais progresso. Enfim, não se trata do fim da História, apenas da nossa ainda incapacidade de dizer em que período da história nós estamos de fato presenciando.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

A Bienal do Livro em Maceió: o paraíso dos leitores

Quem é de Alagoas sabe como o incentivo à manutenção da cultura em nosso estado é insuficiente. Principalmente quando vamos pra outros estados e temos a sensação de termos saído da caverna de Platão. Não que nosso estado não produza cultura - temos grandes referências nisso, mas seu consumo é que tem se tornado um problema - se é por falta de capital social por parte da população, não se tem certeza, mas sobretudo acredito que seja por conta da pouca contrapartida de setores privados e do próprio estado em produzir meios de acesso a bens culturais como livros e maiores frequências de cinemas "cult".

Pois bem, isso se torna mais visível ainda quando, num meio onde há mais alfarrábios que livrarias, emerge a Bienal do Livro com suas centenas de editoras sendo comercializadas a preços diversos. Tive a oportunidade de estar lá nessa segunda-feira, pela minha segunda vez na vida. Foi hora de matar a saudade, e mais uma vez me apaixonei por tudo aquilo como em 2009. Que pena que a Bienal tenha de demorar tanto (eu acho, afinal, no fundo, só temos ela e a  Internet para recorrer) para nos brindar com suas novidades. Gostaria de ter ido à palestra do grande poeta nordestino Jessier Quirino, também gostaria de ter tempo suficiente pra ir vários dias. Mas numa tarde apenas foi o suficiente, e consegui comprar isso aqui:

Economia da Cultura, As Intermitências da Morte, Ensaio Sobre A Lucidez, A Globalização e As Ciências Sociais, Weber (Sociologia), Tudo O Que Você Precisa Saber Sobre O Twitter, Modernização Reflexiva, Teoria Social Hoje, Teorias da Globalização, Tempos Pós-Modernos, Curso Prático de Guitarra (01), Curso Prático de Guitarra (02), 1984, Kurt Cobain.

Esses livros vão me ajudar a fazer passar o tempo até a nova Bienal, ou até a próxima viagem à Livraria Cultura do Recife, que é uma referência de como uma excelente livraria deve ser. Abaixo tem quase todos os livros da minha coleção, com maioria dos livros comprados em eventos como a Bienal.

Os Sertões, Anjos e Demônios, O Código Da Vinci, Memórias do Cárcere, Introdução à Metodologia da Ciência, O Mundo de Sofia, Pais Brilhantes e Professores Fascinantes, Modernidade Reflexiva, 1984, Humano Demasiado Humano, A Gaia Ciência, O Anticristo, Assim Falou Zarastrutra, Critica da Razão Prática, 44 Cartas do Mundo Líquido Moderno, Weber (Sociologia), As Intermitências da Morte, Raízes do Brasil, Casa-Grande & Senzala, Florestan Fernandes, As Teorias da Cibercultura, Métodos de Pesquisa para Internet, Redes Sociais, Tudo o que você precisa saber sobre o Twitter, Ensaio sobre a Lucidez, A Ideologia Alemã, As Regras do Método Sociológico, A Ética Protestante E O Espírito do Capitalismo, O Príncipe, Sociologia e Conhecimento além das fronteiras, Sociologia Clássica, Teorias da Globalização, Caim, Economia da Cultura, Pentecostialismos e os Rituais da Cura Divina, A Cabeça do Brasileiro, Conhecimento Riqueza e Poder, Honoráveis Bandidos, Teoria Social Hoje, Tempos Pós-Modernos, Mahatma Gandhi, Ensaios Sobre Sociologia no Ensino Médio, Renato Russo: O filho da revolução, Eu Sou Ozzy, Sociologia da Cultura, A Globalização e as Ciências Sociais.


No fim das contas, acredito que eventos assim servem como um "boom" cultural pra Alagoas. Alguns dias daquilo que deveríamos ter constantemente em boas livrarias dispersas pelas principais cidades do Estado. São dias intensos de trabalho e dias de grande veiculação de pessoas, o que aparenta mostrar essa carência por parte da sociedade alagoana para bons livros, o que mostra que há SIM público consumidor de livros.

Por fim, convido todos a participarem desse evento incrível que é a Bienal do Livro! Muito provavelmente, se não fosse a Bienal, a minha relação com livros seria estritamente voltada às obrigações acadêmicas. É impossível sair de lá sem comprar nada. Mais do que o consumismo aguçado por parte de quem lê, é a oportunidade de conhecer coisas novas ou encontrar aquele livro que sequer está disponível para venda online. Se você jamais foi pra esse evento, crie coragem e verás que não sairás de lá o mesmo. A leitura transforma. A Bienal é a máquina que permite você se transformar.


domingo, 23 de outubro de 2011

Ciência



O que é a ciência, finalmente?
Resposta pra tudo? Resposta pra todos? Solucionadora de problemas? Melhor caminho? Caminho mais exato para o conhecimento?

Essa crença é constante, principalmente pelos detentores de senso comum. E é de querstionarmos se não é defendida àqueles interessados na sustentação desse discurso.

Fui amplamente afetado quando Rubem Alves (em Filosofia da Ciência) disse que a ciência poderia ser explicada como um refinamento do pensar sobre determinado objeto, de modo a aprofundar-se a ponto de especializar-se, ao passo que, proporcionalmente, ela perde a visão geral das coisas. De fato, existem várias ciências. Dentro de cada ciência, sua própria especificidade. Não temos mais, por ela, como perceber uma continuidade ou a existência de uma comunidade científica que se complete ao resultado das outras, a ponto de dar conta da horizontalidade de respostas para todas as coisas.

A interdisciplinaridade entre as ciências é um tema contemporâneo, mais contemporâneo do que nunca, inclusive. Ela demonstra que a sua dificuldade de implantação permite perceber que os resultados obtidos pela ciência são mais contraditórios entre o próprio campo científico do que somativos para a horizontalidade de respostas. A busca da verdade, sempre o objetivo final a ser trabalhado e verificado pela ciência, é desmascarada pelas escolhas institucionais. A verdade passa a ser tida, mediante este desmascarar, como produto de uma relação de poder que envolve diversas técnicas - entre elas o convencimento e os crivos científicos próprios de cada instituição científica -, demonstrando assim uma relação de poder para dizer o que é e o que não é verdade.

Pelo modo como o senso comum se guia, o qual muitas vezes se estrutura em postulados científicos e até absorvendo muitos desses postulados para se ordenar no mundo, muitos argumentos científicos se tornam socializados, o que é fundamental para que determinado argumento defendido pela ciência seja internalizado como verdade.


Entendo que a ciência cumpre um papel importante na sociedade, ainda que ela se articule a se mostrar neutra e ainda que essa neutralidade seja uma forma de escapar às culpas pelo uso da ciência. O uso científico é uma questão difícil de ser localizada e responsabilizada. Seus resultados são, na maioria das vezes, usados por uma determinada classe fortemente influente na sociedade para a dominação e defesa de seu próprio status. Muitos cientistas, ao analisar os usos que foram feitos das contribuições científicas, passaram a negar a neutralidade e tomar posição para apoiar determinados grupos da sociedade de maneira explícita, a exemplo dos cientistas que trabalham em prol de camadas oprimidas ou passivas da sociedade que sofreram ao longo dos anos com o uso da ciência por grupos envolvidos no processo de dominação social.


Tendo a ciência enfim uma visão de valor, assim como valorativos são os saberes filosóficos e teológicos, fica mais fácil compreender a posição científica no mundo e aceitar ser cientista dentro dela, permitindo uma aproximação do real a partir de uma classificação alternativa de fatos que constituiriam o fenômeno existente - pois ainda toma-se que o real é aquilo que acontece -, onde quem vai dizer finalmente se é plausível ou não é aquele que legitima de fato, ou seja, o próprio ser humano, seja em sentido comum ou científico.


Assim, os cientistas creem na ciência, os religiosos no seu campo religioso, os filósofos no questionamento e reflexão individual, e assim caminha a humanidade.

sábado, 22 de outubro de 2011

A Secretária Eletrônica de Lynn Vallet.



E toca o telefone. A secretária eletrônica é quem lhe dá atenção.

- Oi, eu vim te ligar porque eu queria escutar tua voz. Mas confesso que não tinha certeza disso. A cada chamada, uma nova opinião se fez na minha mente. Relutei e concluí que eu deveria tentar me declarar pra você finalmente. E o destino me colocou de frente pra uma máquina de recados ao invés do teu sorriso jovial e modesto. Ainda não sei se acredito no destino, mas esse fato mudou os planos. Agora eu vejo que talvez a distância entre nós seja o melhor remédio. As minhas dúvidas estiveram me corroendo noites a fio, eu sonhei com o que não queria acreditar e agora estou aqui, pronto pra balizar o meu futuro. Tudo que eu precisava era de um simples telefonema. Por isso eu não quis me arriscar em dizer isso a algumas ruas daqui, na frente da tua casa, olhando na tua cara. Eu jurei que jamais iria mentir pra mim e o faço... Só que o diferente agora é que eu sequer sei o que sinto. É por isso que eu te liguei.
            Veja bem, eu me acho resolvido com esse negócio de solidão. Vi no fato de estar sozinho a vantagem que eu prezo e que sei que não encontraria em lugar nenhum. Desde então, tenho ridicularizado formas de paixões e rido constantemente daqueles que criam estratégias toscas para tentar chegar a seus objetivos egoístas. São visíveis demais aqueles que querem se arriscar no jogo do amor. E enquanto isso, eu tento não seguir aqueles que ridicularizo com minha risada escondida. E por isso talvez seja tão difícil deixar claro os meus sentimentos. No entanto, é chegada a hora de minha redenção. Seja lá qual for o resultado, acho que seria uma missão cumprida fazer o que vim fazer aqui ao tirar esse telefone do gancho. Olha só, eu sei dos riscos. E meu maior medo é justamente eles se concretizarem como a desgraça de quem provoca o mal. Só que eu acho que estou começando a ficar com saudades de você, e eu temo isso por demais. Sei que você está muito próxima de ir embora, sei disso e por isso eu me reservei a sufocar sozinho. Cada segundo junto de ti foi realmente fonte de momentos de uma vida que valeriam a pena em ser vivida. E talvez eu ache que por isso eu realmente mereceria ter essa chance de existir, fornecida tão caridosamente por Deus.
            A verdade, minha amiga, é que eu precisava que você soubesse de alguma forma que talvez meu sentimento vá além de uma amizade. Essa que eu tanto queria que dominasse as relações humanas, essa que salvaria-nos de todas as dores de cotovelo e lágrimas ao fim de cada noite na solidão. Mas outra verdade merece ser dita.
             Não acho que te mereço tanto. Acho que a vida já deixou cartas marcadas para ti. Acho, no fim das contas, que algo nos rege e por isso nossa liberdade está mascarada de uma ordem óbvia para quem guarda essas coisas, mas não tão óbvia para quem apenas sente. Esses relojoeiros do universo brincam mesmo com nosso coração. Eu acho que estou começando a aderir à ideia de “essência”,     que eu relutei tanto em negar por achar que tudo é fruto de nossa cabeça. Mas quem sabe eu esteja errado e de fato isso que eu penso não seja somente fruto de minha cabeça? Talvez você realmente estivesse esperando por mim, talvez as cartas marcadas não existissem. Mas eu não me arriscaria a isso. Então você deve me perguntar o porquê de eu ter te ligado se eu não queria te perder ou te ganhar, não é? Isso eu também tento responder a mim, minha amiga. Acredito que se trata de intuição ou instinto. Talvez nossa verdadeira relação não passe de amizade, e eu precise me educar a perder você. Não posso existir em ego, apesar do ego ser algo tão natural ao ser. Mas não posso me permitir a esse luxo. Eu não tenho a estética que deves procurar, nem talvez o tipo ideal de homem que aguardas. E pra completar, eu sou cúmplice passivo de teu enredo e portanto sei bem das poucas probabilidades que tenho. Talvez eu tenha te ligado só pra te dizer isso, demonstrar esse ceticismo mais como um desabafo do que uma tentativa de te ganhar.
Pra quê eu realmente te quereria se eu sempre vou deixar alguém? Sempre vou fazer alguém triste em troca de alguns momentos felizes? A minha capacidade de amar é que não está resolvida comigo ainda. Portanto, minha amiga, machuque o que se machucar dentro de mim, eu não quero te perder da pior forma, e acredito que esta seja arriscando de te ver mais algumas vezes. Eu não vou fazer ninguém triste. Juro. E portanto, não pretendo enlouquecer com paixões. Assim, acredito que tudo mudou durante esse tempo de bate-papo com a secretária eletrônica. Não vou te arriscar por uma atitude egocêntrica minha. Tenha uma paixão saudável com quem você mais merece, é o que eu desejo profundamente! Quanto a mim... Bem, quanto a mim eu não tenho que explicar, não é? Boa noite e saiba que, da minha forma, te amo. Não procure saber o que isso significa. Até a próxima vez!

E desligou. E não se soube dos próximos dias.

Transformações



O que ao longo da vida não muda está passível de esquecimento.
Cada mudança é uma nova etapa, um novo ciclo, um novo desafio e o abandono ou superação de outros. Mudamos por algum motivo nobre ou porque somos obrigados a mudar. Deixamos de lado o que temos de expurgar e queremos manter algo que não nos leve a rejeitar o resultado que queremos como mudança.

Nunca senti tanta vontade de mudar quanto agora. Diante de todas as experiências, várias queria repetir, muitas vezes também desejei que a vida fosse sempre um mesmo dia, mas eu mudei meus conceitos a respeito de tudo isso.

Eu me vejo travado e dependente, vivendo a vida de outros que não a minha. Me entreguei em busca de felicidade, que tive, mas que não é minha.

E no meio desse post eu lanço a granada e atiro:

- Ou você muda comigo ou você fica para trás, porque eu sou uma metamorfose ambulante.

E agora só resta esperar.

*Originalmente publicado em 26 de agosto de 2010

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Fim do mundo, quando mesmo? Ah, eu sei!


Hoje é dia de fim do mundo. Já podemos começar a nossa sociedade alternativa?
Eu já tomei banho de chapéu, já discuti Carlos Gardel, e até hoje espero Papai Noel. Disseram que era por causa dos atrasos do Governo Brasileiro e o horário de verão que a nova era ainda não chegou por essas bandas. E por fim o proclamador do apocalipse vai dizer que se equivocou em mais uma data, se justificando em sua margem de erro para mais ou para menos anos.
Lembro a primeira vez que me disseram que o mundo ia acabar. Era 11 de agosto de 2000. Eu, em minha pré-adolescência, acreditava de verdade e ficava preocupado com o fato de não chegar vivo à quinta-série. De lá pra cá, outros mundos foram destruídos por canalhas errôneos.Vamos ver se dessa vez os Maias acertam!
Quem não me conhece, deve achar que torço pelo fim de tudo. Não é verdade. Torço apenas pra que o mundo não desapareça melancolicamente, que é nas nossas mãos. A humanidade carregar a culpa do fim do mundo é a maior punição que poderíamos receber. As tentativas de contenção de empresas poluidoras são crimes, aqueles que acham tudo bem ver no desmatamento o indício de progresso pensam que o mundo pensa como eles em termos de racionalização do sistema capitalista. Eu até já desliguei o ventilador aqui e estou escrevendo no calor para dar minha contribuição desesperada, mas de que adianta esta andorinha sozinha no meu próprio verão? Tem geleira que caiu hoje. Protocolos de Kyoto, reportagens sensacionalistas, as críticas de Michael Moore, tudo já ocorreu para advertir-nos e nós só queremos saber em consumir carregando a enfadonha ética de ser humano de acordo com as orientações de nossa sociedade.
No fim das contas, amigos, preferiríamos que o mundo acabasse de outra forma que não por culpa nossa, mas isso está realmente difícil de acontecer. Bom, uma coisa é certa: sabemos que o mundo realmente vai acabar, afinal somos seus executores.
Chupa, Nostradamus! Chupa, Harold Camping! É nóis, humanidade!

Parem tudo!


Parem tudo por um momento nobre! Parem, pois eu também quero descer pela náusea que eu sinto da enxurrada de tudo que produz-se a nós, sobretudo, nada.
Aqui, onde as verdades estão colocadas ao mesmo tempo para o sim e para o não, eu me afogo e não tem ninguém pra me segurar.
Têm amigos que riem, inimigos que sentem pena e até senso de solidariedade. Se o que nos orienta nesse mundo é a definição de fronteiras para identificar quem é o que, já imaginou quando isso não existe mais?
Parem novamente tudo o que estão fazendo e prestem atenção!
Por um segundo, apenas um segundo, você já imaginou que poderia estar fazendo com o próprio tempo? Um clique fora é um adeus, um clique adentro é uma chance de ser feliz. As coisas se tornaram tão fáceis assim… Das coisas mais rápidas e superficiais às mais profundas que atingem o coração, qual a mais importante?
Que graça tem no sexo virtual se é mais belo a chance de se arriscar a receber um não ao vivo e é mais linda a vitória de um sim de quem você ama?
Estamos nos tornando superficiais demais. Não falsos, porque nossa superficialidade é sincera. Mas a nova condição das relações humanas nos tornam insuportavelmente vazios.
Agora sim, o recado está dado. Volte à suas atividades, volte às superficialidades que consomem horas que poderiam, quem sabe, servir para a criação de algo verdadeiramente sublime na vida: a eternização de tua existência mediante tua obra. 
Você pode escolher entre morrer com o tempo ou se eternizar no tempo. As cartas estão dadas.

*Publicado originalmente em 19 de outubro de 2011

Fenda


Tudo muda, muda o ponto de vista, muda o avistamento do ponto que assinala o decreto do destino que torna um menino já responsável por sua razão, quando é lembrado pela velha canção insistente em me dizer “quem quiser correr perigo, que more comigo no meu coração…” pensada ao passo da madrugada infeliz acordada por medo antes de amar, agora por medo de solidão.


*Publicado originalmente em junho de 2011

O que é a paixão?


Você passa a ver todos os dias como os mais lindos
Você se submete
Se dedica mais que à própria família
Fecha os olhos mas mantém vendo
Abre os olhos e é só o que quer ver.
O coração bate forte quando se está perto
Quando está longe já não quer mais bater.
Sabe que o que faz é tosco
Mas ainda assim insiste em fazer
Só pra ser notado por quem você mais nota
Só pra transmitir um pouco do seu bem querer.
E quando você consegue finalmente, abre um champagne e comemora.
A melhor coisa da tua vida acaba de acontecer.
Você conseguiu o que queria, o outro ao seu lado é sinônimo de sublime prazer
Onde todo o resto não te importa, o que importa é apenas ele(a) e você.
E você tem fé. E por isso luta contra o mundo pra que ninguém se atreva a intervir.
Acredita que só o fato da existência do outro já é o suficiente pra te fazer feliz.
E você decide que sem ele(a) não há como viver.
Acredita que só com ele(a) o teu mundo passa de fato a girar e acontecer.
E você se gaba pela sorte de ter encontrado ele(a) pra você.
Porque o destino, ah o destino, este andou a favor de ti como nunca antes na tua vida.
E então você não quer jamais deixá-lo(a) ir. Tem medo de verdade de que seria a pior coisa do mundo.
E diz aos quatro ventos que ele(a) é seu(sua) pra que ninguém possa tirá-lo(a) daqui.
E você começa a se pautar no próprio destino.
E então começam os desentendimentos.
Os sufocos, os fechos de cerco, os ciúmes, tudo isso que você faz pelo bem dos dois.
E de repente ele(a) vai embora por ter escolhido sofrer menos do que você.
E você não entende, chora, lamenta e pede perdão, na esperança de não machucar mais o coração.
E é aí que ele(a) diz “NÃO”. E você perde o chão.
Se frustra, se confunde, o sentimento se rebela e inverte a sensação
Tal qual o ódio que surge com tamanha força do que antes era paixão.
E o teu melhor ser vivo se transforma em teu pior inimigo.
E fim, acabou o ciclo.
Afinal, quantas vezes precisamos passar por isso pra entender uma coisa:
“Paixão está mais perto de doença do que virtude do coração.” ?!
É natural e compreensivo, mas nunca. EXATAMENTE: Nunca diga que esse tipo de paixão é amor.
Porque amor não cria ódio. Amar é verbo intransitivo. Amor é a mais pura causa e efeito subjetivos. Nunca pergunte se eu te amei de verdade algum dia. Talvez eu tenha dito, e até tenha acreditado nisso. Mas me limito e me consolo na façanha do ser humano de errar e voltar tranquilo. Por ter descoberto finalmente o que NÃO é amar.

*Publicado originalmente no início de outubro/2011

As pedras também amam


Desculpe, eu não estou aqui pra te dizer o que você quer ouvir
Se tua beleza cansa, o que me cansa é a tua necessidade de saber disso.
Se o teu sorriso brilha mais que o sol, eu não tenho nada a ver com isso.
E se o teu coração é disputado entre escudos, espadas, pedras e canhões, eu prefiro ficar em casa lendo meu livro sobre amor líquido.
Você pode até dizer que eu não amo
Mas meu amor, eu te amo justamente por isso
Por te ver como alguém que não é diferente de mim
Por não te exaltar em uma mentira, mas em uma realidade.
Eu preciso tanto do que você precisa de verdade.
E é só nisso que eu quero pretendo te ajudar, meu amor.

*Publicado originalmente no começo de outubro/2011

Não quero saber.


Não me diga que as coisas são difíceis de se conquistar
E nem que é difícil ser nós mesmos
São advertências já suspeitas e que se comprovam dia após dia
E se for para mantê-las como mediadora de nossas ações, fique bem longe de mim.
Não me diga, por fim, o que fazer
Quando eu sei bem do que é que eu quero.
Eu quero sorrisos ao amanhecer, beijos de boa noite, quero a verdade e a rara bondade que há em nossos corações
Sim, quero o difícil e sei bem disso
Só não quero ser o comum, o ortodoxo, o básico, o sem conteúdo.
É verdade que eu não sei bem o que quero de fato.
Só não quero ser como aqueles que se veem por aí.
“Carpinteiro do Universo eu sou”.

*Publicado originalmente em setembro/2011

Aonde está o bem comum?

Há determinados fatos que reativam nossa consciência. Nossa consciência para um tema, pois, ultrapassa interesses comumente estabelecidos. A existência da revolta é uma dessas formas pelos quais nós passamos a refletir sobre determinadas coisas que sabemos que vimos, ouvimos e lemos comumente, mas que pouco percebemos. É com indignação que volto a postar um novo texto.


Feira de Murici. Onde os produtores da área agropecuária se encontram. Onde a relação campo-cidade se faz mais contundentemente. Passando e comprando numas dessas barracas, um vendedor comenta sobre política:


- Todo mundo diz: "não venda seu voto"... Mas se alguém chegar com dinheiro, eu vendo!

E o seguinte interlocutor diz:


- É... É tudo ladrão mesmo, não tem diferença. O cara vai deixar de ganhar seu dinheirinho?


É gritante, mas é um fato da realidade, e o pior de tudo é que são opiniões que percebem uma atual situação política que temos muitas vezes que concordar com eles. Não sobre a legitimidade para a venda de voto, o que é o efeito de nosso sistema político, mas justamente sua causa: o problema do multipartidarismo, as fragmentações de ideologias, e com isso sua respectiva vulgarização. Ao eleitor, aquele mesmo das áreas mais campesinas onde se pode imaginar em qualquer canto do Brasil, a potencialidade à corrupção justificada na percepção de uma política "sem futuro" e "indiferente" salta pela língua e atinge em cheio quem pensa que isso é ficção.
Não existe PT, PMDB, PSDB que cause paixões republicanas nessas pessoas que vendem seu voto à troco de uma vantagem imediata, qual seja, uma camisa, um saco de cimento, um trocado. E consequentemente, quando as polarizações políticas estão se confundindo, os partidos radicais, nanicos por vários fatores, tornam-se obsoletos justamente pela percepção que se têm negativamente dos partidos grandes. Alguns poucos, os mais ousados por irem contra a corrupção por um ideal mais puro em militar por uma conquista ideológica, tornam-se membros de partidos radicais. Mas tantos outros, aposto que a maioria, que são  reflexo da estrutura que nossa sociedade em grande parte iletrada comporta, ao se descontentarem com as mudanças que não os afetam e apoiados na crítica, por meio de diversos meios de comunicação, ao exercimento da política contemporânea, possuem maior facilidade para tender à corrupção, sequer sabendo que o que fazem é produto de corrupção.


O problema não é a denúncia da TV, por mais que esta seja tendenciosa pra favorecer outros partidos. Não está na forma como o ator social percebe as coisas. Não está nos partidos nanicos radicais nem em todos os partidos grandões. Está no que é verdade. Está na democracia sem bases de exercimento in fact, está numa multipluralidade que demonstra insuficiência ideológica na atual política. Esquerda contra esquerda, a direita se safa sempre.


Aonde está o bem comum? Enterrado e sepultado pelo cimento trocado pelo voto. Seus atores estão mortos de fome e com as mãos calejadas, com um tiro no corpo e com o nariz em cocaína. Foram vestidos com a camisa negociada com o candidato. E o dinheiro que comprou sua alma serviu para os serviços funerais.




Dentre outras coisas, é assim que se faz política no Brasil




*Publicado originalmente em 9 de outubro de 2010

Reitoria


O fetiche em teus olhos de me ver remoendo sob o sol quadrado que tu moldaste não é a cor da minha sina
Quero ver pelo lado de fora toda essa humanidade que tu tens escondido em questão de um dia
O mesmo o qual desejei entender dentro de ti toda essa armadura que dizes possuir, mas que só irradia
O medo de uma certa perfeição que atinja de maneira certeira ao jovem coração através de melodia


Você não mete medo em mim, natureza opressora
Você devia aprender a fugir, mão que emana a violenta assinatura
Tu, que do alto queres subir mais, mas não sabe que quem te ergue tem a força de te fazer cair.
Afinal você é pública, apesar de privada.


Você é pública, apesar de privada!
E quer futilmente confundir aqueles que através da teoria produzem a prática e que pela prática revelam a teoria:
A de que "ao nascer de um novo dia, a gente mostra o que você jamais faria".




*Publicado originalmente em 23 de novembro de 2010

Escrita x Leitura


Escrever é minha paixão, ler é meu romance.
Minha fome por escrever é mais insaciável que muita coisa. No entanto o tédio logo me pega quando descobre que eu não tenho muito o que escrever, ou quando percebe que não consigo ainda escrever o que eu devo por necessidade, não por prazer.
É escrevendo que eu me objetivo. Autoafirmação cotidiana.Tira-teima de qualquer dúvida própria sobre minha capacidade.
O que falta-me à ideal escrita é justamente leitura. E como eu prefiro escrever do que ler...
Assim, sem saber se é por ciúme ou por maldição, a leitura se torna muitas vezes uma teimosa inimiga quando me vê abraçado a uma folha, um lápis ou um documento de texto de computador.
O que eu posso fazer se eu amo as coisas de maneira diferente?




*Publicado originalmente em 27 de janeiro de 2011.

Conversa com doutor Fróide


- Com licença doutor?!
- Pois não, Charlie! Deixe o guarda-chuva junto à porta. A secretária cuidará de guardá-lo.
- Dias difíceis esses, doutor.
- É apenas por conta das tempestades ou tem algo a mais?
- Não é por causa das tempestades. A chuva inclusive tem sido uma grande companheira pra acompanhar esse inferno astral por qual eu passo no momento. O charuto, a lareira, um livro e uma boa canção...
- O que lhe atormenta, jovem Charlie?
- Muita coisa, doutor. Sinto como se não conseguisse ser mais o mesmo, caminhar com os próprios pés... Em verdade, não dependo de ninguém pra poder ser o que eu quiser, mas no fundo eu não consigo viver só por mim.
- Continue.
- Tem dias que eu não consigo passar o tempo. Perco o sono, não consigo ler, não consigo fazer nada em devaneios. Só consigo encontrar paz quando estou perto de alguém, quando recebo uma visita, ou mesmo um indigente qualquer que me encontre na rua para uma boa conversa.
- Isso parece sério. Mas somente parece. Bem, Charlie, voltemos aos dias atuais. O que vejo é que o seu problema é realmente por causa de uma tempestade, e ela está se formando no seu copo d’água.


*publicado originalmente em 11 de abril de 2011

Frutos de um maio qualquer.


Não basta ficar com sono
A insônia vem
Como em alguns segundos a vida muda!
São cruciais para delimitar destinos, oferecer possibilidades
Fechar tantas oportunidades, garantir uma que pode ser a principal.
Queria poder ser dono do meu destino, como sou dono do meu cachorro.
Pelo menos meu animal sente quando eu não estou bem, quando eu não quero mais machucar ninguém nem a mim também.
Ah destino, porquê?
Toda hora de dormir é a última coisa que sinto, todo amanhecer é a primeira coisa que penso.
De tão bom dói, e de tão ruim a dor é boa.
Eu devo realmente gostar de viver perigosamente.


Amar é o preço que se tem de pagar por existir.


*publicado originalmente em 25 de maio de 2011

Sobre a organicidade dos sentimentos



Pela última vez (ou uma primeira que já quero que seja a última, afinal tá interligado mesmo)! Sentimentos são orgânicos. São diferentes de valores. Eles se vão mais rápido, só duram dentro de um corpo humano, enquanto valores duram dentro de um corpo social. Diferentes de valores, que são possíveis por serem compartilhados, o sentimento pode existir (e sempre é assim) dentro de um único indivíduo.
Sentimentos e valores existem dentro do corpo humano. Eles se misturam e se tornam difíceis de serem separados. Mas não são a mesma coisa.
Valores têm algum nível de orientação racional. Sentimentos não.
Sentimentos têm um impulso quase que voluntário. Valores não.
Pela última vez, não nos esqueçamos disso.
E não nos esqueçamos de saber separar as coisas.
E não nos esqueçamos de que somos escravos dos sentimentos e dos valores.
E não nos esqueçamos de que contra os valores podemos lutar, contra os sentimentos não.
E não nos esqueçamos que é melhor um prêmio provenientes dos sentimentos do que dos valores.
E não nos esqueçamos que os valores são mais amigos que os sentimentos porque nos confortam e nos machucam menos, e não nos põem em situações ruins.
E não nos esqueçamos que a virtude tem a ver com valores e não com sentimentos.
Talvez porque sentimentos distorcem e valores dignificam.
Talvez porque valores são frios e sentimentos são quentes.
E nessa vida talvez valha a pena mais a frieza da razão do que a quentura da felicidade.
No fim das contas: sentimentos não são melhores que valores, que não são melhores que sentimentos.
E a escolha do que você quer se basear pra levar consigo é sua.




*Publicado originalmente em 15 de julho de 2011

Citação Importante

“É preciso dar um sentido à vida, pelo próprio fato de esta carecer de sentido” (Miller)


*Publicado origalmente em 19 de julho de 2011

O que é nosso brinquedo de agora? E se enjoarmos dele?


Qual é o nosso atual objeto de entretenimento? Sim, o que costumamos gastar o tempo, qual é? Na infância eram os brinquedos, na adolescência as novelas românticas, os livros para as famílias burguesas de antigamente, os bonecos de lata dos que estão à margem. Mas hoje as coisas mudaram a potencialmente as relações com essa tal de pós-modernidade ou qualquer que seja o conceito que defina as limitações da modernidade, que é preciso fazer esses questionamentos. Nosso brinquedo atual, meu amigo, são as pessoas. Imagine quando enjoarmos delas.




*Publicado originalmente em 30 de agosto de 2011

Como viver na caleidoscopianeidade?


Ultimamente eu pareço ter encontrado um termo eficaz pra compreender a minha própria condição de desejos e ações em busca da satisfação deles: caleidoscópio humano. Considerando as fragmentárias peças imagéticas de um caleidoscópio que forma uma unidade quando em movimento, imaginei que poderia estar me representando razoavelmente com esse objeto, posto que é difícil aceitar a minha constituição enquanto uma função social apenas (para além das funções sociais automáticas - filho, irmão, cidadão, etc.). Essa insatisfação pela unicidade certamente remete ao debate baumaniano de uma vida líquida - mas antes mesmo de ler Bauman essa condição já se manteve presente em mim.

Jamais queria ser pura e simplesmente um indivíduo com uma profissão apenas, cumprindo uma única função planejada no mundo. É como se houvesse uma fome e ambição de ser várias coisas, em vários momentos. Hoje, mesmo sem uma formação em quaisquer das ações a serem citadas, eu me sinto músico, escritor, empreendedor de um projeto de serigrafia, além de estudante de sociologia. Não quero jamais ser apenas uma dessas funções com dedicação exclusiva e vivendo somente para uma delas. Quero todas, quero ser tudo isso e até mais, caso venha à minha cabeça alguma necessidade de ação. Enfim, como um caleidoscópio, ficando parado eu sou um fragmento, em movimento eu sou uma unicidade de várias coisas, e acho que é isso que me conforta.

No entanto, há fatores negativos. Esse simultaneismo muitas vezes requer uma ocupação do tempo maior que uma dedicação para uma só profissão. Eu vivo isso a cada dia, sentindo que esses deveres escolhidos se apertam às 24 horas diárias, de maneira que eu busco respirar e num mesmo dia eu termine não realizando nada de produtivo para nenhuma dessas funções. Talvez eu deva me planejar mais do que planejo, mas sei que mesmo me planejando há momentos que eu não consigo responder à minha função em dado momento; um planejamento não determina que sua mente estará preparada para fazer esta função ou não aquela. Na verdade planejamentos têm servido para me mostrar o quanto o tempo tem corrido, e eu jamais posso esquecer isso.

Enfim, essa simultaneidade toda satura mas parece a melhor condição para mim. Pior coisa do que estar sendo atropelado pelas atividades em curto tempo é na verdade se prender a uma única função, a qual me fará se tornar escravo dela por muito tempo da minha vida. Várias atividades me indicam liberdade, uma liberdade ainda que limitada, mas algo que acredito me fazer mais feliz do que a ditadura da função única. Devo aprender posmodernamente como melhor viver na caleidoscopianeidade. Isso é fato!