sexta-feira, 21 de outubro de 2011
Conversa com doutor Fróide
- Com licença doutor?!
- Pois não, Charlie! Deixe o guarda-chuva junto à porta. A secretária cuidará de guardá-lo.
- Dias difíceis esses, doutor.
- É apenas por conta das tempestades ou tem algo a mais?
- Não é por causa das tempestades. A chuva inclusive tem sido uma grande companheira pra acompanhar esse inferno astral por qual eu passo no momento. O charuto, a lareira, um livro e uma boa canção...
- O que lhe atormenta, jovem Charlie?
- Muita coisa, doutor. Sinto como se não conseguisse ser mais o mesmo, caminhar com os próprios pés... Em verdade, não dependo de ninguém pra poder ser o que eu quiser, mas no fundo eu não consigo viver só por mim.
- Continue.
- Tem dias que eu não consigo passar o tempo. Perco o sono, não consigo ler, não consigo fazer nada em devaneios. Só consigo encontrar paz quando estou perto de alguém, quando recebo uma visita, ou mesmo um indigente qualquer que me encontre na rua para uma boa conversa.
- Isso parece sério. Mas somente parece. Bem, Charlie, voltemos aos dias atuais. O que vejo é que o seu problema é realmente por causa de uma tempestade, e ela está se formando no seu copo d’água.
*publicado originalmente em 11 de abril de 2011
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